Crew-12, a missão conjunta da NASA e da SpaceX, completou com sucesso a manobra de atracação à Estação Espacial Internacional (ISS) após lançar-se ontem a partir da Estação da U.S. Space Force em Cape Canaveral. A cápsula Dragon estabeleceu o contato previsto às 15:15 hora local (21:15 na Itália), quando ambas as naves sobrevoavam a região do Sudáfrica, cerca de 34 horas depois do lançamento.
O comandante Jessica Meir informou por rádio que a “fase de soft capture completada” havia ocorrido, marco técnico que precede as operações finais de acoplamento. A sequência de verificação continuará nas próximas horas, com a abertura dos portões prevista para as 17:00 hora local (23:00 hora italiana), segundo comunicado da NASA.
O novo contingente a bordo é composto pelo americano Jack Hathaway, pelo russo Andrey Fedyaev e por Sophie Adenot, a segunda mulher francesa a voar no espaço. A duração planejada da missão é de aproximadamente nove meses — um intervalo superior aos habituais seis meses do programa comercial entre NASA e SpaceX — configurando um alongamento que reforça demandas científicas e logísticas da estação.
O embarque do Crew-12 assume um papel de reposicionamento no tabuleiro orbital: eles substituem o equipe 11, formada pelos americanos Zena Cardman e Mike Fincke, pelo japonês Kimiya Yui e pelo russo Oleg Platonov. Este último regressou à Terra em 14 de janeiro na primeira evacuação médica na história da ISS, após um problema de saúde identificado em um dos membros da tripulação; por motivos de privacidade a NASA não divulgou a identidade do paciente.
Desde então, a estação operou com tripulação reduzida — o americano Christopher Williams e os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev — que mantiveram as operações essenciais e os experimentos científicos a bordo, preservando os alicerces das atividades científicas e de logística da estação.
Em termos geopolíticos e estratégicos, a entrada do Crew-12 representa mais do que um ciclo de pessoal: é um movimento decisivo no tabuleiro da cooperação internacional em órbita, onde a continuidade das missões e a interoperabilidade entre parceiros são pilares frágeis, porém essenciais, da estabilidade orbital. A extensão da missão para cerca de nove meses reflete um redesenho sutil das prioridades — maior tempo para experimentos, manutenção e demonstração de resiliência operacional — enquanto mantém intactos os canais de coordenação entre agências e empresas privadas.
Nos próximos dias, a tripulação recém-chegada iniciará as rotinas de integração e alocação de tarefas com os tripulantes remanescentes, antes de assumir plenamente os programas científicos previstos para a estação. A operação destaca, mais uma vez, como a cooperação espacial funciona como uma tectônica de poder: aparentes ajustes técnicos, como um acoplamento bem-sucedido, têm repercussões estratégicas que se propagam por anos no campo da pesquisa e da diplomacia tecnológica.
Com rigor e discrição, a comunidade internacional acompanha a evolução da missão. O sucesso inicial do Crew-12 é, por ora, um movimento correto no tabuleiro — sólido, necessário e executado com precisão.






















