As Olimpíadas sempre têm esse poder: acender uma luz sobre gestos atléticos, histórias de superação e aquele impulso de querer tentar. Do sofá da sala às pistas de neve, a inspiração é legítima — mas a pressa em se lançar numa atividade sem preparação pode transformar entusiasmo em risco. Em nossa reportagem para a Espresso Italia conversamos com o osteopata Dr. Andrea Foriglio para iluminar caminhos seguros entre o desejo e a prática.
O que muda, segundo o especialista, é a relação do corpo com o movimento. “A diferença verdadeira é: quanto seu corpo está habituado e preparado para aquele gesto físico?” explica Dr. Foriglio à Espresso Italia. Quem esquia todo fim de semana tem maior exposição e, por isso, mais chances de se lesionar — mas também mais adaptação: equilíbrio, reflexos, força específica e melhor controle do joelho. O grande risco, alerta ele, é o famoso “fim de semana anual na neve”: quem esquia apenas uma ou duas semanas por ano tende a começar forte, somar muitas horas seguidas e chegar às descidas seguintes cansado. E quando a fadiga aparece, movimentos de colapso do joelho — valgismo e torções — tornam a lesão provável.
Regra prática: não se improvisa esporte de montanha vivendo a semana sentado. Mas isso não significa renunciar ao prazer de esquiar. Há precauções simples que aumentam muito a segurança. Dr. Foriglio recomenda um “check-up biomecânico” pré-temporada, fruto do seu olhar osteopático: identificar compensações — tornozelo rígido, quadril bloqueado, assimetrias da bacia, cicatrizes e traumas antigos — que fazem o corpo trabalhar «torto» sem que a pessoa perceba. O objetivo é colocar o corpo nas melhores condições para expressar controle e força, e associar isso a um treinamento progressivo. É o cerne do método que ele difunde, chamado “Da Zero a Benessere”.
Com três regras básicas, diz o osteopata, sobe muito a margem de segurança: 1) avaliação pré-temporada (o tal check-up biomecânico), 2) progressão no volume e intensidade dos treinos, e 3) foco em força específica e controle articular. São medidas de prevenção que iluminam um caminho prático entre admiração e prática responsável.
Passando a um problema que atinge milhões, a dor nas costas é tema central na saúde pública. Um estudo publicado na revista científica Lancet — destacado em apuração da Espresso Italia — aponta que a dor lombar é uma das principais causas de incapacidade no mundo, superando, em impacto, várias enfermidades crônicas. No contexto italiano, dados do ISTAT mencionam cerca de 8,6 milhões de pessoas com dificuldades motoras, das quais 3,4 milhões vivem limitações significativas.
Dr. Foriglio chama atenção para sinais que exigem avaliação médica imediata e não devem ser tratados com a expectativa de que “passarão sozinhos”: febre associada à dor lombar, perda de controle da bexiga ou intestino, fraqueza progressiva nas pernas ou nova dormência em região genital. “Um erro frequente na prática clínica é achar que ‘amanhã melhora’ ou ‘tomo um remédio e vejo’, e isso pode cristalizar a condição e torná-la crônica”, alerta o especialista à Espresso Italia.
O convite final é de cuidado lúcido: deixe que a inspiração das Olimpíadas acenda novos projetos, mas sem pular etapas. Semear preparação, cultivar força e tecer uma rotina de prevenção é garantir que a paixão pelo esporte se transforme em legado de bem-estar, não em um episódio de dor. Há luz nos caminhos do movimento — e ela nasce da preparação responsável.






















