Por Giuseppe Borgo — Roma. O mais recente levantamento da SWG para o TG La7, atualizado até 9 de fevereiro de 2026, mostra uma modificação sensível no mapa eleitoral italiano: embora o centro-direita mantenha vantagem como bloco, há sinais claros de erosão nas forças que tradicionalmente sustentam essa arquitetura política.
Segundo o instituto, o partido de Giorgia Meloni, Fratelli d’Italia, permanece na liderança com 30,1% das intenções de voto, mas registra uma queda de 1,2 pontos percentuais em relação à semana anterior. A Lega de Matteo Salvini também recua, atingindo 6,6% (-1,1), movimento que é atribuído ao efeito da saída de Roberto Vannacci e à criação do novo partido Futuro Nazionale.
O levantamento aponta ainda o Partito Democratico (PD) em 22,2%, com leve quebra, e o Movimento 5 Stelle em 11,7%, confirmando um pequeno recuo das legendas tradicionais nas intenções de voto. No centro-direita, Forza Italia cresce para 8,4%, reforçando seu papel na coalizão enquanto a Lega perde terreno.
Dados sobre o novo agrupamento de Vannacci divergem conforme a fonte: a SWG indica um debut de Futuro Nazionale em 3,3%, suficiente para incomodar parceiros na coalizão, mas a sondaggista Alessandra Ghisleri, do instituto Only Numbers, afirmou ao Giornale d’Italia que a lista estaria mais perto de 1,6%. Há ainda projeções — divulgadas por outros centros — que colocam a nova força entre 3% e 4,2%, cenário que, se confirmado em patamares mais altos, permitiria ao partido ultrapassar naturalmente a cláusula de barreira parlamentar (3%) e até resistir a um eventual aumento do limiar para 4%.
Entre as outras formações, os Verdi e a Sinistra aparecem juntos com 6,4%, enquanto partidos menores ficam assim: Azione 3,1%, Italia Viva 2,2%, +Europa 1,5% e Noi Moderati 1,2%. A categoria “outras listas” sofre leve redução frente à sondagem anterior.
O quadro que emerge é o de um centro-direita que ainda sustenta os alicerces do consenso eleitoral, porém com fissuras: a saída de uma figura como Vannacci funciona como um pequeno seísmo político que redistribui votos dentro da coalizão. Na prática, é uma reconfiguração da arquitetura do voto que pode ter impacto nas estratégias eleitorais, na aliança de listas e na ocupação dos espaços parlamentares.
Do ponto de vista dos cidadãos, a leitura deve ser prática: oscilações de poucos décimos podem significar ajustes nos acordos locais e nacionais, afetando candidaturas e recursos. Do ponto de vista institucional, as formações agora avaliam se a perda de parcela de eleitorado exigirá uma nova obra de recuperação — uma espécie de reforço estrutural nas paredes da coalizão — ou se será possível realinhar materiais e equipes sem grandes reformas.
Em resumo, a sondagem SWG mostra um cenário em movimento, com Fratelli d’Italia ainda no topo, mas com a Lega fragilizada e com espaço para que Futuro Nazionale redesenhe parte do mapa do centro-direita. Para o eleitor e para quem acompanha as decisões de Roma, isso significa atenção aos próximos passos: acordos, candidaturas e o peso da caneta no desenho final das listas.






















