Um lance ocorrido aos 42 minutos de jogo entre Inter e Juventus transformou-se em assunto global: a expulsão de Pierre Kalulu, determinada pelo árbitro La Penna, reacendeu debates sobre a integridade do jogo, a responsabilidade da arbitragem e o papel do VAR na era contemporânea do futebol.
Nos estúdios da Paramount+ e da CBS, Vincent Grella, ex-jogador australiano com trajetória na Serie A, foi categórico: “o melhor jogador do Inter foi o árbitro“. A observação, seca e direta, não é apenas uma crítica pontual à decisão de expulsar Kalulu; é uma leitura do episódio como sintoma de um problema maior que atravessa o futebol italiano e europeu.
“É um fato, é o que eu vi. No jogo mais importante do ano, o melhor jogador do Inter foi o árbitro. O Inter jogou muito mal, foi ajudado pelo árbitro e não aproveitou o benefício em termos de jogo. Se a Juventus tivesse jogado com 11 hoje, teria batido o Inter.” — Vincent Grella
O lance em questão teve início numa simulação atribuída a Alessandro Bastoni, já advertido anteriormente com cartão amarelo. Ao ‘voar’ na área, Bastoni provocou a reação do adversário, que recebeu o segundo amarelo e, consequentemente, foi expulso. Para completar a cena, Bastoni comemorou como se tivesse marcado um gol, gesto que amplificou a impressão de artifício e teatralidade.
No mesmo painel, Nigel Reo-Coker foi incisivo em outro ângulo do debate: a simulação não é apenas um expediente tático; é um legado que condiciona a formação das próximas gerações. “O problema agora é que tropos jogadores baram e se atiram: isso não faz bem ao jogo e não faz bem aos jovens que começam a assistir as partidas agora. Muitos árbitros agora dependem do VAR e não assumem a responsabilidade de decidir”, disse Reo-Coker.
Essas observações trazem à tona questões recorrentes na história do futebol italiano: a relação conflituosa entre paixão, teatralidade e regulamentação; a dificuldade de se harmonizar tecnologia e autoridade; e o impacto pedagógico das condutas observadas em campo. A expulsão de Kalulu é, portanto, menos um episódio isolado do que um espelho de tensões institucionais e culturais.
Do ponto de vista prático, a decisão de La Penna alterou o equilíbrio do clássico, mas não apaga a necessidade de reflexões mais amplas: que mensagens o campeonato está transmitindo sobre o comportamento aceitável? Como treinar árbitros para conciliar checagens de vídeo com coragem de intervenção? E que responsabilidade têm clubes e jogadores na preservação da credibilidade do espetáculo?
Para além do comentário contundente de Grella e da advertência de Reo-Coker, resta ao público, às federações e às instâncias disciplinares a tarefa de transformar controvérsia em políticas claras. O futebol italiano, com sua história de debates táticos e morais, enfrenta mais uma encruzilhada: a escolha entre aceitar a teatralidade como elemento do jogo ou reforçar, com medidas educativas e disciplinares, um código de conduta que preserve a autenticidade da competição.






















