Em uma partida que refletiu mais o caráter e a trajetória do que apenas o resultado, a Itália foi derrotada pela Irlanda por 20-13 neste sábado, 14 de fevereiro, no Aviva Stadium, em Dublino, válida pela segunda rodada do Sei Nazioni 2026. O placar final não conta toda a história: houve momentos de reação azzurra, erros decisivos e a confirmação da superioridade de um elenco irlandês que aproveitou as oportunidades na segunda etapa.
Os anfitriões abriram o marcador com a meta de Osborne aos 16 minutos, numa arrancada que desequilibrou a defesa italiana. A resposta dos azzurri veio com personalidade: o chute de penalidade de Garbisi aos 20′ e a meta de Nicotera aos 32′ colocaram a Itália à frente no intervalo, 10-5. O primeiro tempo, portanto, deixou em evidência a capacidade de reação e a organização tática trabalhada por Gonzalo Quesada.
No entanto, a segunda metade mudou o ritmo da partida. Aos 43′, Conan atravessou a linha italiana e, pouco depois, aos 57′, Baloucoune ampliou o placar para os irlandeses. O pontapé de Crowley aos 63 minutos consolidou a vantagem para a Irlanda, que passou a controlar os momentos decisivos e a gestão do jogo, fechando em 20-10. A Itália ainda buscou um último fôlego: aos 67′, Garbisi diminuiu para 20-13, mas não houve tempo suficiente para reverter o desfecho.
O técnico Gonzalo Quesada adotou um tom equilibrado na entrevista pós-jogo: “Sou consciente de quem tínhamos pela frente e da sua situação, por isso devo dar a esta prestação o valor que merece. Não estamos ainda em condição de não cometer erros num jogo, mas estou orgulhoso do que os rapazes fizeram”. Quesada salientou também que a equipe sai de Dublino com um ponto-bônus merecido e que pequenos episódios — um quique entre os postes e uma meta anulada — poderiam ter invertido o placar: “A derrota dói, mas vejo bem mais aspetos positivos do que negativos”.
Do ponto de vista estrutural, esta partida expõe duas leituras complementares. Primeiro, a Itália continua a demonstrar progresso técnico e organização competitiva: conseguir liderar no intervalo em um palco como o Aviva Stadium não é casual; é produto de trabalho de formação e estratégia. Segundo, a experiência e a profundidade do plantel irlandês mostraram-se determinantes na segunda parte — capacidade de pressionar nos momentos certos, aproveitar a superioridade nos rucks e transformar posse em pontuação.
Para além do resultado, o que fica é a confirmação de que o desenvolvimento do rúgbi italiano segue um caminho de consolidação, ainda que permeado por erros que precisam ser corrigidos em jogos de alto nível. A leitura de Quesada, afiada e realista, sugere que a reconstrução é gradual: valorizar o que foi bem feito — coesão defensiva em vários momentos, organização ofensiva em fases — e trabalhar para reduzir os lapsos que, em torneios curtos como o Sei Nazioni, fazem diferença.
Resta à Itália transformar a frustração da derrota em aprendizagem e manter a linha de evolução demonstrada na capital irlandesa. O torneio é longo, e partidas como esta mostram que o progresso é medido tanto por resultados quanto por sinais de identidade tática e resiliência coletiva.





















