Ciclone Oriana continua a causar impactos severos na Itália, com enchentes, deslizamentos, danos a condutas de água e afetando sítios arqueológicos, em particular o Parque Arqueológico de Sibari, na Calábria. Nas três regiões mais atingidas — Calábria, Sicília e Sardenha — os serviços de emergência registraram mais de 2 mil intervenções dos vigili del fuoco (bombeiros) em 72 horas, segundo o cruzamento de fontes oficiais e relatórios locais.
A administração regional da Calábria convocou uma reunião extraordinária de governo e aprovou o pedido formal de reconhecimento do estado de emergência. “O governo Meloni intervirá também desta vez para sustentar as administrações locais e o sistema produtivo, reconhecendo o estado de emergência nacional”, disse o subsecretário à Presidência do Conselho com delegação para o Sul, Luigi Sbarra.
O impacto do maltempo não se limita ao sul: todo o país registra chuvas persistentes, ventos fortes e marés altas. Em Fiumicino, nos arredores de Roma, o prefeito assinou uma ordem de evacuação para moradores situados junto à foz do Tibre; 13 pessoas foram realocadas. Só na cidade de Roma e província os bombeiros realizaram mais de 100 intervenções em poucas horas.
No território de Frosinone, o rio Gari transbordou e um cemitério foi invadido pelas águas. No viterbese ocorreram deslizamentos e surgimento de crateras. Próximo a Terni, em Stroncone, cerca de vinte pessoas foram surpreendidas por uma cheia repentina de um rego e tiveram de ser resgatadas do interior de um campo esportivo pelos bombeiros. A neve voltou a cobrir os relevos do Appennino central, agravando as dificuldades de trânsito.
Na Sardenha a nova onda de mau tempo também provocou situações críticas: a equipe de mergulhadores do comando de Sassari, juntamente com socorristas aquáticos e fluviais, socorreu cinco pessoas isoladas após o aumento do caudal de um rio que as impediu de voltar às próprias casas. No Nuorese foram contabilizados 105 atendimentos em um único dia, totalizando 505 desde o início da emergência. As áreas mais afetadas incluem a Ogliastra e Alghero, esta última atingida por forte maré de tempestade. Ao todo, a Sardenha registrou mais de mil intervenções dos bombeiros.
Os mergulhadores do Comando de Cagliari também realizaram operação para resgatar um rebanho de ovelhas isolado em um isolote na região do Oristano, em razão do aumento das águas.
O setor agrícola está em situação de colapso em várias frentes. Na Sardenha e na Calábria, pomares de laranja foram devastados pelo vento, pomares citrícolas ficaram alagados e plantações de alcachofra, alface, funcho e outros hortícolas sofreram perdas significativas ou apodreceram antes de chegar ao mercado. Na Sicília, a reserva natural das Saline de Trapani e Paceco está transformada em pântano. Associações do setor pedem medidas de apoio imediato e compensações.
Em Pisa, um pinheiro de 15 metros caiu sobre dois carros estacionados, sem feridos, lembrando o risco permanente de árvores derrubadas pelo vento nas áreas urbanas. A Proteção Civil mantém alerta amarelo para 11 regiões do país, com previsão de novas chuvas hoje especialmente em Puglia e Sicília.
Esta reportagem é resultado de apuração in loco e do cruzamento de dados entre comunicados institucionais, equipes de socorro e fontes locais. A realidade traduzida pelos fatos brutos aponta para uma emergência integrada: impactos imediatos sobre populações e infraestrutura, e danos relevantes ao setor agrícola e ao patrimônio cultural.






















