Por ora, a influenza já provocou cerca de 10 milhões de infecções na Itália e há risco de que o número suba para 14–16 milhões até o fim da temporada. Embora a ação mais intensa da estação — com pico registrado no final de janeiro — pareça já ter passado, a doença ainda deixa um rastro de casos e exige vigilância: espera-se que a circulação da gripe, predominada pela variante K, recue ainda mais entre o fim de fevereiro e o início de março.
“A influenza está no colpo di coda”, observa Antonio D’Avino, presidente da Fimp (Federazione italiana medici pediatri). Segundo ele, os casos estão em diminuição em comparação com a semana anterior, inclusive entre as crianças 0-4 anos, que continuam sendo a faixa etária mais afetada. O boletim semanal de vigilância RespiVirNet confirma essa tendência, registrando uma queda da incidência de infecções respiratórias agudas em todas as idades; na faixa 0-4 anos, o indicador passou de 40 para 38 casos por 1.000 assistidos.
No entanto, enquanto a maré da gripe baixa, outros vírus respiratórios seguem circulando nos consultórios pediátricos. D’Avino ressalta a presença concomitante do vírus respiratório sincicial (RSV), dos rinovírus e de outros coronavírus — distintos do Sars-CoV-2 — que, em conjunto, sustentam um aumento das infecções respiratórias, sobretudo entre os pequenos.
Na maioria dos casos, a gestão é simples e baseada no alívio dos sintomas. A recomendação é controlar a febre e tratar dores com paracetamol, sempre seguindo as orientações do pediatra. Se os sintomas se agravam, a febre persiste ou surgem sinais de dificuldade respiratória, é fundamental levar a criança para avaliação clínica.
Um aspecto tranquilizador desta temporada, segundo o presidente da Fimp, é a ausência de complicações significativas até agora. Paralelamente à queda dos casos de gripe, os consultórios relatam um aumento de infecções gastrointestinais virais — que causam vômitos e diarreia — afetando crianças e adolescentes e representando, neste momento, uma das principais causas de procura por atendimento na pediatria.
Como observador das estações e guardião do bem-estar diário, gosto de pensar na saúde pública como a respiração de uma cidade: há momentos de inspiração intensa e outros de tranquilo expirar. Agora, a paisagem respiratória italiana parece desacelerar, mas as raízes do bem-estar pedem cuidado — sobretudo com os mais jovens. Monitorar sintomas, seguir orientações médicas e procurar atendimento ao mínimo sinal de piora continua sendo a palavra de ordem.
Em resumo: a influenza dá sinais de recuo, porém o cenário exige atenção por causa de possíveis colps de cauda e da circulação de outros vírus respiratórios e gastrointestinais. Vigiar, agir com calma e consultar o pediatra quando necessário mantêm-se como práticas essenciais para atravessar esta transição sazonal.





















