Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A primeira manche do Slalom Gigante feminino em Milano Cortina 2026, disputada na pista Olympia delle Tofane em Cortina d’Ampezzo, confirmou algo que a história do esqui alpino muitas vezes nos lembra: resultados são, ao mesmo tempo, produto do talento individual e do contexto — neve, luz, leitura de linha, e uma narrativa pessoal de recuperação ou afirmação.
Após 30 das 76 inscritas terem descido — com as principais favoritas já na pista — a italiana Federica Brignone assumiu a liderança com o tempo de 1’03″23. A atual campeã olímpica do supergigante, que vem de uma recuperação significativa após o grave ferimento na perna em abril do ano passado, mostrou descidas de grande precisão: esqui leve, linhas muito limpas e controle em trechos onde o sol havia amolecido a neve.
Logo atrás, a alemã Lena Dürr aparece a 34 centésimos; em terceiro lugar figura a italiana Sofia Goggia, a 46 centésimos da líder. Em 4º lugar, empatadas a 74 centésimos, surgem a italiana que corre pela Albânia, Lara Colturi, a sueca Sara Hector e a norueguesa Thea Louise Stjernesund. A segunda manche está marcada para começar às 13h30.
Goggia, em entrevista à Rai, descreveu sua sensação com franqueza: “Ainda não vi meus intertempos; na parte alta não senti o ritmo do gigante como gostaria. Fazia tempo que eu não ia bem no gigante; na parte baixa me senti rápida, mas numa prova tão apertada nunca dá para ter certezas. A posição é boa — não esperava — fiquei até um pouco perplessa”. Com a sobriedade de quem sabe que o gigante é a base para a velocidade, ela acrescentou que agora o objetivo é recuperar energias e manter a concentração para a segunda descida.
A presença italiana no topo desta primeira manche reafirma um elemento cultural do país: a capacidade de forjar competidores que transitam entre técnicas e velocidade, contribuindo para a memória coletiva do esqui alpino nacional. A ascensão de Brignone tem também carga simbólica: sua volta às grandes performances em um cenário olímpico reforça a narrativa de resiliência que o esporte costuma oferecer como imagem pública.
Paralelamente ao gigante, ocorreram outras disputas: na primeira prova do monobob feminino, a alemã Lara Nolte dominou a bateria e assinou o recorde da pista com 59″44; as italianas Simona De Silvestro e Giada Andreutti ficaram em 23º e 25º, respectivamente, a 1,60 e 1,77 segundos da líder — resultados que colocam a prova feminina de monobob brasileira em dificuldade para disputar pódios nesta etapa.
No biathlon, o francês Anaïs Chevalier-Bouchet (nota: conferir nome quando houver atualização de placares) e outros protagonistas ocupavam posições de destaque na perseguição; o azzurro Tommaso Giacomel já havia iniciado sua participação. No curling, partidas matinais entre seleções como EUA, Suécia, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e Noruega desenhavam um dia intenso na arena olímpica.
Resta a segunda manche, quando pistas, nervos e a habilidade para traçar linhas decisivas se alinharão — ou não. O Slalom Gigante tem essa dualidade: é competição técnica e memorial afetivo ao mesmo tempo. Veremos se Brignone confirma ou se outras atletas, a partir de ajustes e riscos calculados, promoverão reviravoltas.






















