Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Aos 40 anos, Chris Paul decidiu encerrar sua carreira como jogador profissional. O armador norte-americano anunciou sua aposentadoria por meio de um post nas redes sociais, pouco mais de uma semana após ter sido desligado pelos Los Angeles Clippers. A notícia marca o fim de 21 temporadas na NBA e fecha um capítulo extenso e complexo na memória recente do basquete internacional.
Paul, que chegou aos Clippers vindo do Toronto Raptors no início desta temporada, disputou apenas até dezembro antes de ser liberado pela equipe. Sua trajetória na liga foi construída a partir de uma combinação rara de longevidade, consistência técnica e liderança: foram 1.370 partidas, com médias de 16,8 pontos, 9,2 assistências e 4,4 rebotes por jogo ao longo da carreira.
O percurso de Chris Paul atravessou cidades e identidades colecionando papéis distintos — desde o calouro que brilhou em New Orleans, onde foi eleito Rookie of the Year em 2006, até ser peça-central em equipes como Houston, Oklahoma City, Phoenix Suns, Golden State, San Antonio e Toronto. Nesse itinerário, havia sempre a mesma qualidade: a capacidade de organizar o jogo e elevar o coletivo. Em Phoenix, Paul conduziu os Suns às finais da NBA em 2021, a grande aproximação ao título que nunca se concretizou — derrota para Milwaukee — e que permanece como um dos temas centrais da sua biografia esportiva.
Além do impacto nas franquias, sua presença se refletiu em conquistas pela seleção: dois ouros olímpicos com os Estados Unidos, em Pequim 2008 e Londres 2012, que reforçam seu lugar entre os grandes armadores de sua geração.
No anúncio, Paul escreveu: “Estou cheio de alegria e gratidão. Mesmo que este capítulo como ‘jogador da NBA’ tenha terminado, o jogo do basquete estará para sempre enraizado no meu DNA. Estou na NBA por mais de metade da minha vida, três décadas. É loucura até mesmo dizer isso!” A declaração sintetiza a relação íntima entre atleta e esporte — não apenas estatística, mas também memória e identidade.
Como analista atento às tramas culturais que o esporte projeta, é possível ler a carreira de Chris Paul além dos números: ele redefiniu o papel do armador-controle num período em que a liga acelerou seu ritmo e revalorizou a versatilidade. Sua influência passou pela gestão de elenco, pela representação de veteranos que mantêm competitividade e pelo exemplo de profissionalismo que ajudou a moldar gerações.
Fica a impressão de um jogador que se aproximou do título máximo e, apesar de não o ter conquistado, será lembrado pela capacidade de transformar equipes e por uma coleção de momentos que transcendem a crônica de placares. O anúncio da aposentadoria fecha um ciclo, mas também abre espaço para a leitura de seu legado: treinador informal, formador de jovens, e uma figura cuja carreira dialoga com a história recente da NBA.
Nos números e nas imagens de liderança, Chris Paul permanece como referência — uma presença cujo entendimento exige atenção ao que representa socialmente, não apenas em quadra.






















