GENOVA, 13 de fevereiro de 2026 — Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O pênalti nos acréscimos contra o Napoli ainda ecoa no vestiário do Genoa, mas a equipe de José Mourinho… desculpe, De Rossi — como se esperaria em Roma — busca virar a página rapidamente. No domingo, às 15:00, os rossoblù enfrentam a Cremonese em Cremona, num jogo que assume contornos de confronto direto na luta na tabela.
“Nós reagimos bem”, declarou De Rossi em coletiva; “na semana trabalhamos igualmente bem. Nos primeiros dias o golpe recebido causou um ânimo diferente, mas seguimos em frente e ainda podemos alcançar nosso objetivo, apesar de termos sentido o baque”. A fala resume o estado de espírito do clube: a desilusão do último jogo existe, mas não pode se transformar em paralisia.
O treinador explicitou um cuidado retórico e prático: tratar a partida com a devida seriedade sem inflá‑la emocionalmente. “Não é para carregar demais de emoção. Será preciso ser lúcido em campo e ter consciência da nossa posição na tabela, e do fato de que a Cremonese é uma concorrente direta. Para nós, é uma partida muito importante, como aquelas que aparecem no fim da temporada. Não é um playoff, mas tem grande importância”.
Do lado prático, a lista de jogadores à disposição é quase completa, com a única dúvida sendo Baldanzi. Segundo a comissão técnica, ele tem treinado, mas a decisão sobre levá‑lo ao banco ou dar alguns minutos dependerá da avaliação nos próximos dois dias: “Ele tem pressa, mas nós não devemos”, disse De Rossi, sublinhando a cautela na gestão de cargas e expectativas.
A Cremonese, comandada por Nicola, encara o duelo como oportunidade para consolidar sua posição frente a rivais diretos: partidas assim, já nas fases finais do calendário, tendem a assumir significado ampliado para clubes que disputam sobrevivência na mesma região da tabela. É nesses jogos que se mede mais do que técnica: mede‑se nervo, preparo físico e gerenciamento emocional.
Do ponto de vista tático, a previsão de formações ainda permanece sujeita a ajustes técnicos e médicos. A clareza de De Rossi sobre não transformar o jogo em um evento hipereditado preocupa menos do que a necessidade de respostas práticas em campo. Em jogos como este, pequenas escolhas — escalação, substituições, leitura dos momentos — fazem a diferença entre virar a página e permanecer preso à última imagem negativa.
Para o observador interessado nas tramas sociais que o futebol revela, trata‑se de mais do que três pontos: é um espelho do que representam clubes de média dimensão na Itália contemporânea — instituições que lutam por identidade, por sobrevivência financeira e por um lugar de respeito numa liga marcada por desigualdades crescentes.
Domingo, 15:00, então: tempo para verificar se o Genoa consegue transformar reação em resultado concreto e se a Cremonese confirma a força de competir em casa. A partida promete calor competitivo e significado ampliado — como costumam ser os jogos entre vizinhos de tabela.
Otávio Marchesini — repórter de Esportes, Espresso Italia






















