Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O confronto válido pela Serie A entre Parma e Verona, programado para domingo às 15h, assume significado maior que os três pontos em disputa. No centro da atenção está o recente rinnovo de contrato de Mateo Pellegrino com o clube gialloblù, assinado até 2030, gesto que o clube interpreta como blindagem do seu ativo mais promissor e sinal inequívoco de ambição — mesmo em uma temporada marcada por dificuldades.
Na coletiva que acompanhou a oficialização, Pellegrino sublinhou a perspectiva coletiva: “Temos um objetivo a alcançar juntos, estamos focados para dar alegrias à nossa torcida”. A frase é simples, mas carrega um peso simbólico: em Parma, o futebol segue tendo o estádio e a equipe como depositários de identidade local. O Tardini, casa dos crociati, não é apenas um espaço esportivo, é um repositório de memórias que neste momento pede reencontro com a vitória.
Os números recentes em casa não ajudam: o Parma venceu apenas uma das últimas dez partidas domésticas no campeonato (três empates e seis derrotas) e ficou sem marcar em seis desses encontros. Esse histórico transforma o jogo de domingo em uma espécie de prova de recuperação psicológica, tanto quanto técnica.
Do ponto de vista tático, o treinador Cuesta enfrenta um dilema defensivo. A baixa por suspensão de Troilo, somada às lesões de Valenti e Ndiaye, deixaram a retaguarda curta em opções. Diante desse quadro, existem duas linhas de ação plausíveis: recuar para uma linha de quatro defensores — solução que, pelos resultados recentes, mostrou-se menos eficaz — ou apostar no lançamento imediato do último reforço contratado pelo clube, dando-lhe responsabilidade e minutos desde o início. A alternativa escolhida dirá muito sobre a leitura que a comissão técnica faz da pressão local e da necessidade de respostas imediatas.
No ataque, a dupla pode contar com Strefezza ao lado de Pellegrino, opção que equilibra mobilidade e presença na área. Mas a carência defensiva impõe um risco: expor linhas avançadas pode funcionar contra adversários mais sólidos, e o Verona, em plena luta pela salvezza, tende a se fechar e explorar transições.
Mais do que um jogo isolado, o duelo em Parma é um retrato do momento que muitos clubes italianos vivem: gestão de talentos em meio a limitações orçamentárias, a necessidade de transformar jovens promessas em ativos financeiros e esportivos e a pressão de torcidas que ainda veem no estádio um lugar de pertencimento. A renovação de Pellegrino até 2030 é, nesse sentido, um movimento estratégico que combina proteção esportiva e clareza de projeto.
Domingo será um termômetro. Para o Parma, há em jogo não só a tabela, mas também a confiança de seu público no Tardini. Para o Verona, a capacidade de manter-se firme diante da ambição alheia. A partida promete tensões táticas e um significado que ultrapassa os noventa minutos.
Prováveis ausências: Troilo (suspenso), Valenti e Ndiaye (lesionados). A lista final de relacionados será divulgada nas vésperas da partida.
Nota editorial: informações de escalação e condições físicas atualizadas conforme comunicados oficiais do clube até a publicação.






















