Turim — A Juventus viaja para Milão sem Khephren Thuram. O meio-campista francês não conseguiu se recuperar da forte contusão sofrida durante o treino de véspera e acabou cortado da lista de convocados de Luciano Spalletti para o confronto desta noite contra o Inter, em San Siro.
O desfalque de Thuram incide além do aspecto físico: altera o desenho tático que a comissão técnica vinha calibrando para os jogos de maior exigência. Titular de rotação no meio, o jogador oferecia à Juventus uma combinação de vigor físico e capacidade de transição — atributos que agora obrigam Spalletti a repensar o equilíbrio entre contenção e saída de bola.
Na prática, o treinador deixou em aberto o substituto para atuar ao lado de Locatelli. A briga é direta entre Teun Koopmeiners e Miretti. Cada escolha traz implicações distintas: Koopmeiners agrega dimensões de organização posicional e mais presença de passe longo; Miretti, por sua vez, oferece mobilidade e maior ligação com as linhas ofensivas, sacrificando um pouco da proteção à defesa.
Essa decisão não é apenas técnica, mas também simbólica do momento da Juventus. Clássicos como o de hoje não se resolvem só em qualidade individual, mas na coerência de papéis — quem cobre as transições, quem marca as linhas de passe e como o time administra posse quando pressionado em seu terço defensivo. A ausência de Thuram força uma leitura mais atenta do duelo: o Inter tende a explorar as saídas curtas da Juve e a testar a capacidade dos substitutos de fechar espaços entre as linhas.
Do ponto de vista da gestão de elenco, trata-se de mais um lembrete da necessidade de profundidade e de alternativas bem definidas. Lesões e contusões, especialmente em treinos intensos, revelam os limites físicos e o calendário apertado que pesa sobre clubes de alto nível. A resposta de Spalletti e do departamento médico nas próximas horas dirá se a ausência é pontual ou se exigirá rotações programadas nos jogos subsequentes.
Para os torcedores, a notícia tem efeito prático imediato: a formação que iniciará em San Siro pode ter uma configuração mais cautelosa, com ênfase em controlar o ritmo e minimizar riscos nas transições defensivas. Para o observador que vê o futebol como reflexo de estruturas maiores, é a reafirmação de que um plantel é, simultaneamente, soma de talentos e gestão de contingências.
A Juventus espera, agora, por notícias do departamento médico sobre o tempo de recuperação de Khephren Thuram, enquanto Spalletti decide se confia em Koopmeiners ou em Miretti para sustentar o meio-campo ao lado de Locatelli.
Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia






















