Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao ritmo compassado das estações, onde cada mudança toca o corpo e a alma, surge uma estatística que pede atenção e cuidado: cerca de 2% dos tumores atingem crianças, e em aproximadamente um terço desses casos a radioterapia é uma etapa decisiva do tratamento. É o que lembra a Associação Italiana de Radioterapia Oncológica Clínica (AIRO) ao aproximar-se do Dia Mundial do Câncer Infantil.
Tratar uma criança é, para mim, assumir a responsabilidade de proteger um futuro ainda em formação. Como afirma o presidente da AIRO, Stefano Pergolizzi, cada escolha técnica precisa ter em mente o desenvolvimento do corpo e os efeitos a longo prazo: a medicina aqui não pode ser apenas eficaz, precisa ser gentil com o tempo interno daquele organismo que cresce.
Os tumores pediátricos representam uma pequena fração do total — cerca de 2% — mas exigem saberes especializados e centros altamente preparados. A radioterapia entra no percurso terapêutico quando o tumor não é totalmente removível por cirurgia, para eliminar células residuais após cirurgia ou quimioterapia, como tratamento local principal, ou para aliviar sintomas como dor e limitações motoras.
A radioterapia moderna permite modelar os feixes com precisão extrema, preservando ao máximo os tecidos saudáveis, tão sensíveis num corpo em crescimento. O objetivo, mais que a simples eficiência clínica, é encontrar o equilíbrio entre segurança e proteção do desenvolvimento futuro, como um jardineiro que poda sem ferir as raízes.
Entrar num setor de radioterapia pode assustar uma criança: bunkers, máquinas de alta tecnologia, ruídos e tensões. Por isso, nos últimos anos muitos centros investiram na humanização dos espaços — murais, cores, personagens e áreas de brincadeira dedicadas. Não são meros enfeites: reduzir a ansiedade melhora a cooperação durante o tratamento, diminui a necessidade de sedação e cria condições mais seguras para uma terapia que exige imobilidade e precisão.
Como bem coloca Camilla Satragno, membro do AIRO Giovani, tecnologia e relação caminham juntas. Antes de iniciar a radioterapia, as famílias conhecem a equipe multidisciplinar — radioterapeutas oncologistas, técnicos, físicos médicos, enfermeiros, psicólogos e voluntários — para construir confiança e explicar cada etapa. Humanidade e confiança são, afinal, palavras-chave quando se trata de curar uma criança: curar é proteger o futuro.
Enquanto observador das estações da vida e da saúde, vejo essa prática como uma colheita de cuidado: o trabalho técnico precisa florescer num ambiente que nutre a coragem dos pequenos e a serenidade das famílias. Essa é a verdadeira medicina do dia a dia, que honra tanto a precisão do tratamento quanto a dignidade do crescimento.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















