MILANO, 13 de fevereiro de 2026, 17:10 — A seleção italiana de hóquei no gelo sofreu mais uma derrota no torneio olímpico de Milano-Cortina. Depois da derrota na estreia diante da Suécia, os azzurri foram superados por 3 a 2 pela Eslováquia, país que chega ao evento tendo conquistado o bronze em Pequim 2022.
O resultado deixa a Itália na última posição do Grupo B, sem somar pontos até aqui. A Eslováquia, por sua vez, soma dois triunfos em dois jogos e aproxima-se com firmeza da classificação para a próxima fase. Amanhã, os italianos voltam à pista para enfrentar a Finlândia, adversária de tradição e forte elenco.
Sobre a partida, a leitura mais clara é que os italianos disputaram boa parte do confronto em níveis comparáveis aos de um adversário de maior cartel, mas foram penalizados por um recuo de rendimento no segundo período e, sobretudo, por concederem demasiados power plays. Nessas situações de inferioridade numérica, a equipe deu espaço e permitiu que a Eslováquia capitalizasse em momentos decisivos.
Como analista que observa o esporte em chave histórica e institucional, é preciso destacar duas vertentes: a primeira, de natureza esportiva, refere-se ao processo de maturação de uma seleção ainda em construção. O hóquei italiano convive com limitações estruturais e com uma base de atletas que, embora talentosa, não tem a mesma profundidade técnica e competitiva dos polos tradicionais do Norte e Leste europeu. A segunda vertente é cultural e organizativa: torneios como os Jogos servem para expor essas diferenças e, ao mesmo tempo, abrir janelas de aprendizado sobre formação, estratégia e gestão.
Esta derrota evidencia problemas recorrentes — disciplina em quadra, controle do ritmo nos períodos centrais e eficácia em superioridade numérica adversária — que não se resolvem apenas com vontade. Exigem intervenção técnica, calendário de jogos mais exigente e investimentos em formação juvenil. O desafio italiano, portanto, ultrapassa a dimensão de uma só partida: trata-se de repensar caminhos para que as gerações futuras disputem a quadra olímpica em pé de igualdade.
Do ponto de vista do torneio, a vitória da Eslováquia amplia a margem de tranquilidade do grupo diante de seleções mais cotadas, enquanto a Itália terá de encarar o duelo com a Finlândia como uma oportunidade para recuperar moral e tentar somar seus primeiros pontos. Em um formato curto como o olímpico, cada partida tem peso decisivo; reagir já não é apenas opção, é necessidade.
Em suma, o 3-2 desta sexta-feira confirma duas evidências: a persistência de um abismo competitivo entre as potências do hóquei e seleções em desenvolvimento, e a capacidade do torneio de funcionar como uma câmera que amplia falhas e acertos. Para os azzurri, resta transformar a experiência em diagnóstico e acelerar reformas; para a Eslováquia, consolidar a trajetória que pode levá-la além da fase de grupos.






















