Udinese e Sassuolo voltam a se encontrar em Udine em um confronto que, nas palavras do técnico Kosta Runjaic, reúne equipes de perfil similar e com ambição clara: conquistar os três pontos. Na antevéspera do duelo marcado como lunch match, o treinador destacou sem rodeios a familiaridade tática dos adversários e a necessidade de intensidade que faltou no último compromisso em Lecce.
“Ci ricordiamo bene come andò all’andata, a Reggio Emilia, contro il Sassuolo: una sconfitta meritata. Loro hanno un potenziale simile al nostro. Hanno una chiara e interessante organizzazione, con buona qualità a livello individuale. Faremo di tutto per ottenere i tre punti. Serve la giusta intensità, che ci è mancata a Lecce”, afirmou o técnico, reiterando uma leitura pragmática do jogo: respeito pela estrutura do adversário e exigência por resposta coletiva.
Do ponto de vista esportivo, a ausência de Davis no ataque impõe escolhas. Runjaic confirmou que Zaniolo “si è allenato molto bene” e que pode ser peça decisiva, ainda que evite criar expectativas exageradas: “non mi aspetto i miracoli da lui, ma può comunque fare la differenza per la nostra squadra”. O treinador manteve sigilo sobre a dupla ofensiva que iniciará a partida, mas deixou claro o objetivo pragmático: apresentação sólida diante da torcida e pontos para a classificação.
Enquanto a declaração segue o script habitual de quem prepara uma equipe para um clássico de média dimensão — não minimizar o rival, não inflar a confiança — há razões históricas e culturais que tornam o confronto sugestivo. Udinese representa um território do norte-est italiano com forte sentido de identidade regional e tradição de formação; Sassuolo, pela dinâmica da Emilia-Romagna, incorpora uma visão mais industrial e de renovação tática que floresceu nas últimas décadas. Quando clubes com trajetórias distintas se reconhecem como semelhantes em perfil, o que se coloca em jogo é menos a diferença de nomes e mais a convergência de modelos: organização coletiva, qualidade técnica espalhada e capacidade de explorar pequenos desequilíbrios.
Para Runjaic, a chave reside na intensidade e na coerência tática — variáveis que respondem tanto ao preparo físico quanto à disciplina mental dos jogadores. Em um campeonato longo, partidas como essa funcionam como termômetros: medem não apenas classificação, mas também resiliência e identidade.
Do ponto de vista social, jogos entre clubes de cidades médias costumam mobilizar um tipo de paixão distinta das grandes metrópoles: memória local, orgulho cívico e presença de torcedores que veem no estádio uma extensão da comunidade. Jogar bem e pontuar em casa, portanto, tem implicações que vão além da tabela; reenfatiza laços, restaura expectativas e reafirma um projeto esportivo.
Na manhã que antecede o confronto em Udine, a mensagem de Kosta Runjaic é simples e direta: ajustar a intensidade, confiar em peças como Zaniolo, aceitar a perda de Davis como um desafio e mirar os três pontos. Para a torcida, resta aguardar o momento em que a equipe transforme intenção em desempenho.






















