ROMA, 14 de fevereiro de 2026 — Os dois maiores nomes do tênis feminino no ranking — Aryna Sabalenka e Iga Świątek — comunicaram oficialmente que não estarão no quadro principal do WTA 1000 de Dubai (15–21 de fevereiro). O anúncio, feito pelos organizadores do torneio, altera o cenário esportivo e competitivo do evento que tradicionalmente atrai grande público e atenção da mídia global.
Em uma nota publicada no site oficial do torneio, a bielorrussa Sabalenka declarou que não se sente “100%” e manifestou pesar pela retirada: “Mi dispiace molto essere costretta a ritirarmi (…) e spero di tornare l’anno prossimo” — frase que, transferida ao campo simbólico do esporte, nos lembra da delicada gestão entre ambição competitiva e limites físicos que as atletas de alto rendimento enfrentam após calendários intensos e grandes decisões como as finais de Grand Slam.
Por sua vez, a polonesa Świątek, eliminada nas quartas do WTA 1000 de Doha na semana anterior, justificou a ausência em Dubai por um “cambio di programma” e já sinalizou a intenção de reaparecer no circuito em Indian Wells (4–15 de março). Trata-se de uma opção estratégica que muitos jogadores fazem: priorizar torneios e janelas de preparação que melhor se alinhem com objetivos de temporada, recuperação física e logística de viagens.
Com as desistências das líderes do ranking, a cabeça de chave número 1 em Dubai passará a ser a número 3 do mundo, Elena Rybakina, campeã do Australian Open em 31 de janeiro — seu segundo título de Grand Slam. A ausência das duas primeiras coloca sobre Rybakina e sobre o restante do pelotão uma nova dinâmica de responsabilidade competitiva e oportunidade: para as emergentes, um caminho mais aberto; para o torneio, o desafio de manter atração e vendas sem duas figuras centrais.
Desde a perspectiva institucional e cultural que procuro trazer, este episódio – aparentemente simples na superfície – reabre questões recorrentes sobre o calendário WTA: a concentração de eventos de alto nível em janela curta, os custos de deslocamento global e a pressão sobre o condicionamento das atletas. Não é apenas uma decisão de um dia; é uma escolha que espelha prioridades coletivas do circuito e estratégias individuais de carreira.
Para o público e para Dubai, resta a capacidade de reposicionar o produto: valorizar confrontos entre outras estrelas, histórias de redenção e trajetórias como a de Rybakina, ao mesmo tempo em que se respeita o prerrogativa legítima de jogadoras de gerir suas temporadas. Em 2026, a narrativa do tênis feminino continuará a se construir não só pelos troféus, mas pelos riscos calculados que cada atleta assume em prol de longevidade e rendimento.
Em termos práticos, a retirada de Sabalenka e Świątek impacta diretamente o desenho do quadro, o apelo comercial e as expectativas de público. No curto prazo, a bola segue a rolar em Dubai sem as duas primeiras do ranking; no médio prazo, o calendário e as escolhas de preparação — como a decisão de Świątek por Indian Wells — serão pontos centrais para acompanhar até Roland Garros e além.
Otávio Marchesini — repórter de Esportes, Espresso Italia


















