Por Giulliano Martini — A pesquisa clínica e a prática cardiológica convergem para uma conclusão direta: o amor e um relacionamento saudável têm efeito protetor sobre o coração. A declaração é do cardiologista Eugenio Stabile, diretor da Unidade Operativa Complessa de Cardiologia do Hospital San Carlo e da Universidade da Basilicata, em entrevista que cruza dados científicos recentes com observações clínicas.
Em análise crítica da literatura, Stabile destaca uma revisão recente publicada no Journal of Cardiology intitulada “What About Love”, que sintetiza evidências sobre a influência das relações afetivas na saúde cardiovascular. “A literatura oferece diversas evidências sobre a valência terapêutica do amor”, diz o especialista, com base em apuração in loco e no cruzamento de fontes científicas.
Do ponto de vista fisiológico, explica Stabile, quem mantém uma boa relação tende a controlar melhor condições como diabetes e excesso de peso. Observa-se menor incidência de obesidade, melhora da qualidade da alimentação e manutenção da pressão arterial em níveis mais adequados. Esses são fatos brutos, documentados em estudos que relacionam coabitação estável e suporte social com melhores indicadores metabólicos e cardiovasculares.
O cardiologista descreve o efeito inverso quando prevalecem hostilidade e rejeição: há ativação negativa do aparelho cardiovascular, com elevação da pressão, aumento da frequência cardíaca e de hormônios do estresse, sobretudo o cortisol. “Quando o cortisol está excessivo, além de reduzir o desejo sexual, ativa de maneira negativa o sistema imunológico”, afirma Stabile, relacionando mecanismos hormonais e comportamentais.
O impacto do estado afetivo estende-se aos comportamentos de saúde. Em bom estado emocional, as pessoas praticam mais atividade física, fumam menos, optam por dietas mais saudáveis e têm maior adesão à medicação prescrita. “Se estamos bem, fazemos mais facilmente tudo aquilo que melhora a nossa saúde cardiovascular. Em situação de stress afetivo, o comportamento é pior”, observa o especialista.
Stabile acrescenta um ponto prático relevante para a reabilitação cardíaca: o suporte do(a) parceiro(a) facilita o cumprimento das prescrições médicas e das tarefas de reabilitação após intervenções cardiológicas. “Viver em um ambiente em que se é cuidado cria um ciclo virtuoso. Pequenos gestos de atenção mutuamente motivam melhores cuidados pessoais”, explica.
Em termos clínicos, pessoas em relacionamentos afetivos saudáveis apresentam frequência cardíaca e pressão arterial mais baixas; o oposto ocorre em relacionamentos conflituosos, quando o mau humor e a ansiedade se refletem em piora dos parâmetros cardiovasculares. A conclusão é prática e objetiva: a dimensão afetiva precisa ser considerada como variável de risco e de proteção na avaliação cardiológica.
O diagnóstico e a intervenção devem seguir o método jornalístico-científico que pratico: relato baseado em evidência, verificação de autores e estudos, e validação clínica. A relação entre amor e saúde cardiovascular não é poesia — é dado mensurável, com implicações diretas para prevenção e tratamento.




















