Por Chiara Lombardi — O trio de Belfast que virou espelho do nosso tempo atravessa pela primeira vez o mar para chegar ao público italiano: os Kneecap anunciam quatro datas em junho no âmbito do Fenian Tour, em concomitância com o lançamento do novo álbum Fenian, disponível a partir de 24 de abril pela Heavenly Recordings.
O roteiro italiano passa por quatro cidades e cenários distintos, como se cada palco fosse um capítulo do mesmo roteiro oculto que a banda vem escrevendo. As datas confirmadas são:
- 15 de junho — Milano, Circolo Magnolia (Unaltrofestival)
- 16 de junho — Bologna, Sequoie Park
- 17 de junho — Roma, Auditorium Parco della Musica Ennio Morricone (Cavea, Roma Summer Fest)
- 18 de junho — Bari, Fiera del Levante (Locus Festival)
Os ingressos estarão disponíveis em comcerto.it e livenation.it a partir das 10h de sexta-feira, 20 de fevereiro. Para quem acompanha a trajetória da banda, este momento é mais do que uma turnê: é a tradução em palco de um discurso sonoro que mistura festa, contestação e memória.
Fenian, produzido por Dan Carey (conhecido por trabalhos com Fontaines D.C., Kae Tempest e Wet Leg), marca o terceiro álbum de estúdio do grupo, sucedendo Fine Art (2024). O disco expande a linguagem dos Kneecap, fundindo hip-hop, eletrônica e uma atitude punk — uma mistura que age como um refrão de resistência: direto, radical e pensado para o momento do live-show.
O primeiro single, Liars Tale, é um punk-rave inflamado que denuncia tentativas de censura e repressão política através de riffs rock inspirados nos anos 80 e batidas rave-punk caóticas. O álbum traz ainda colaborações com Radie Peat, Kae Tempest e Fawzi, e inclui faixas que prometem virar hinos em shows ao vivo, como “Éire go Deo”, “Palestine (ft. Fawzi)” e a faixa-título Fenian.
Os Kneecap não são apenas um fenômeno sonoro: eles são um caso cultural. Nos últimos anos, o trio tornou-se figura central de debates ao assumir posições públicas sobre o conflito israelo-palestino e ao apoiar a causa palestina por meio de declarações, símbolos e gestos — escolhas que ampliaram a discussão além do terreno estritamente musical. Essa postura rendeu à banda não só críticas e censuras — “Tentaram nos parar, nos rotulando de ‘terroristas’ e cancelando shows”, lembram os membros Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí — mas também consolidou sua voz como uma das mais incômodas e relevantes da geração.
Além do impacto musical e político, o projeto ganhou outra dimensão com o biopic homônimo, premiado no BAFTA e em Sundance, que ajudou a transmutar o fenômeno de culto para uma audiência internacional mais ampla. O Fenian Tour chega à Itália como primeira oportunidade para o público nacional experienciar a força performática da banda e ouvir ao vivo um repertório que percorre desde os primeiros passos até o capítulo mais recente de sua discografia.
Mais que um simples anúncio de shows, a chegada dos Kneecap revela o papel da música como arquivo emocional e arena política: um roteiro vivo que reflete e refrata o presente, convidando o público a olhar além do espetáculo e ouvir o que ressoa como verdade no palco.






















