Em uma manhã que parece cena de filme — uma tensão contida no olhar, flashes que lembram salas de projeção — os protagonistas do Sanremo 2026 chegaram à Piazza del Quirinale para o tradicional encontro com o Presidente da República. À frente do cortejo, o diretor artístico Carlo Conti e a apresentadora Laura Pausini caminharam cercados por representantes de uma edição que já aponta como espelho das urgências culturais contemporâneas.
O ritual de ser recebido no Quirinale funciona aqui como um prólogo solene: uma cena pública que transforma o entretenimento em ato institucional, lembrando que o festival não é apenas espetáculo, mas também um eco cultural — o roteiro oculto que articula memória, identidade e a semiótica do sucesso.
Entre os artistas presentes estavam nomes que mesclam tradição e renovação: Leo Gassmann, Bambole di Pezza, Samurai Jay, Serena Brancale, Fedez, Marco Masini, Sal Da Vinci, Elettra Lamborghini, Arisa, Mara Sattei, Enrico Nigiotti, Ermal Meta, Ditonellapiaga, J-Ax, Maria Antonietta e Colombre e TrediciPietro. A presença desta seleção revela o pulso variado do festival: do melodismo consagrado ao experimental urbano, formando um painel que é, em si, um espelho do nosso tempo.
Entre os mais emocionados estavam Tommaso Paradiso e Dargen D’Amico. Em um gesto simples que virou imagem simbólica, Dargen D’Amico chegou a pé, sozinho, e comentou à agência Adnkronos: “Non capita tutti i giorni” — uma frase que soa como reconhecimento da exceção histórica que é ser parte de um momento tão carregado de visibilidade.
A chegada ao Quirinale tem, também, um aspecto performático: artistas e equipe assumem temporariamente papeis de emissários culturais, e a fotografia do movimento — entradas calculadas, sorrisos, olhares — constrói a narrativa pública que antecede o festival. Para quem observa com curiosidade sofisticada, esse encontro oficial é menos um backstage e mais um mapa simbólico do que o festival pretende representar nesta temporada.
Enquanto as cortinas ainda não se abrem no palco principal, essa pequena cerimônia no coração institucional da Itália confirma a centralidade do Sanremo no imaginário europeu. É uma convocação: o festival promete não só sucessos radiofônicos, mas discussões sobre identidade, memória e as formas contemporâneas de transmissão cultural — o que torna cada chegada ao Quirinale um prefácio significativo ao que virá.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















