Por Chiara Lombardi — Em um retorno que mistura brilho pop e um gesto de carinho à tradição italiana, Elettra Lamborghini volta a competir no Sanremo 2026 com a faixa «Voilà». Em entrevista à imprensa, a artista descreveu o momento como um encontro íntimo entre evolução artística e necessidade coletiva: quer levar leveza e fazer o público dançar, oferecendo um pequeno antídoto contra a dureza dos tempos atuais.
Entre confissões de perfeccionismo e o nervosismo inevitável de uma competição tão exposta, Elettra admite sentir uma pressão constante. “Sou muito sensível e perfeccionista — se algo não sai como quero, eu entro em confusão. Recentemente, confesso que tive um pico de exaustão”. A ansiedade ante o imponderável também marca sua preparação: evitar febres ou uma bronquite virou obsessão a ponto de andar com máscara para não comprometer a performance.
Sobre o próprio single, ela descreve «Voilà» como uma retomada do pop mais puro, com referências que vão dos Abba à icônica Raffaella Carrà. “Minha música está em transformação; cresci, amadureci. Precisava encontrar algo que me emocionasse de verdade — e essa canção foi um golpe de luz, um verdadeiro amor à primeira audição”. Ela conta que rejeitou muitas opções antes de chegar ao material certo: a vitória foi tanto artística quanto pessoal.
O objetivo declarado é claro: entrelaçar entretenimento e otimismo. “Quando só ouvimos notícias negativas, eu sinto a necessidade de responder com leveza e alegria. As pessoas merecem um pouco de esperança — e é isso que quero levar a Sanremo”. Essa intenção transforma a música em algo mais do que refrão; vira um espelho do nosso tempo, um roteiro oculto que busca salvar a experiência coletiva através do rito do espetáculo.
Sobre a experiência em palco, Elettra compara as funções com honestidade: ser coapresentadora no ano passado trouxe-lhe espontaneidade, já competir exige preparo técnico e vocal muito mais rigoroso. “No comando eu me sinto mais solta; como concorrente, a exigência aumenta”. Ao ser perguntada sobre Achille Lauro, que assume agora a coapresentação, a recomendação foi simples e refinada: “Que ele permaneça autêntico — a autenticidade sempre compensa”.
Na noite das covers, Elettra subirá ao palco com Las Ketchup para reinterpretar «Aserejé». “Já estou com as pernas a tremer. Estou muito empolgada. Gosto da ideia de levar quatro mulheres ao palco — girl power“, diz, evocando um gesto simbólico: reunir figuras pop para celebrar memória coletiva e festa.
Sobre o Eurovision, a cantora vê a hipótese com visão ampliada: seria, nas suas palavras, “um modo de dar voz a todos” — transformar um espaço competitivo em uma vitrine de representatividade e leveza. No fundo, Elettra propõe que a canção pop seja menos frívola do que parece: um refrão pode ser, simultaneamente, refúgio e dispositivo de esperança.
Enquanto se prepara, entre máscaras protetoras e ensaios, Elettra Lamborghini se coloca como figura híbrida — celebridade e intérprete reflexiva — que usa o palco não apenas para divertir, mas para moldar um pequeno reframe da realidade. Em tempos de sombras, seu objetivo é claro: acender uma lâmpada de festa sobre a plateia, para que por alguns minutos o público se permita dançar e acreditar.






















