Milano Cortina, 14 de fevereiro de 2026 — A trajetória histórica da seleção feminina da Itália nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milano Cortina encontrou seu fim nas quartas de final. Na Milano Rho Ice Hockey Arena, as italianas foram superadas pelos Estados Unidos por 6-0, com gols de Keller, Coyne (duas vezes), Edwards, Curl e Bilka.
A partida começou com sinais promissores para as anfitriãs. Sob o comando do técnico Bouchard, a seleção italiana resistiu bem ao ímpeto inicial das americanas e chegou a ameaçar o gol adversário, perdendo assim a oportunidade de transformar a motivação em vantagem. Ainda assim, o primeiro período terminou com as visitantes em vantagem mínima, 1-0.
No segundo período, todavia, as azurras descolararam-se taticamente e sofreram cinco gols que decretaram o placar final. As norte-americanas, apontadas como favoritas, imprimiram a força física e a profundidade de elenco que caracterizam o hóquei feminino dos Estados Unidos, ampliando de forma progressiva e depois controlando o jogo no terceiro tempo.
O resultado confirma a continuidade da campanha das americanas, que permanecem invictas e avançam às semifinais em busca da medalha de ouro. Para a Itália, a eliminação representa o término de uma página importante: é a primeira vez que a seleção feminina italiana alcança uma fase tão avançada na competição olímpica — um feito que, embora terminado em derrota, merece ser lido com atenção por suas implicações para o desenvolvimento do esporte no país.
Como analista com foco histórico e cultural, cabe sublinhar que gestos esportivos como este não se esgotam no placar. A presença da Itália entre as oito melhores do torneio olímpico é sintoma de um processo estrutural em formação — reflexo de investimentos, mudança de mentalidade e expansão da base de atletas. Ao mesmo tempo, evidencia as limitações atuais: profundidade do elenco, experiência internacional e rotinas de alta competição, aspectos em que potências como os Estados Unidos ainda levam clara vantagem.
O técnico Bouchard e sua equipe enfrentam agora o desafio de transformar essa experiência em projeto concreto: retenção de talentos, fortalecimento das categorias de base, melhor integração com clubes nacionais e planejamento de calendário que permita maior exposição a adversárias de alto nível. A derrota por 6-0 é dura, mas o avanço até os quartos pode servir como plataforma simbólica para reivindicar políticas públicas e privadas em favor do hóquei feminino na Itália.
Do ponto de vista esportivo imediato, resta celebrar a entrega das jogadoras e reconhecer que a diferença entre uma vitória e uma eliminação, em ambientes de alto rendimento, passa por detalhes — experiência em situações de pressão, profundidade tática e recursos físicos. A memória desta participação olímpica será, para a comunidade do hóquei italiano, uma referência que combina orgulho e lição.
As americanas seguem sua marcha rumo às semifinais; a Itália regressa ao trabalho com a tarefa de converter a inédita presença olímpica em política esportiva sustentável. Em um país que vive o esporte como tecido social, a chave será transformar este evento em legado.






















