Por trás do carinho que dedicamos aos nossos companheiros de quatro patas existe uma realidade económica que às vezes ofusca essa dedicação: o preço dos medicamentos veterinários. Dados da Ragioneria Generale dello Stato, analisados pela equipe da Espresso Italia, mostram que os gastos com cuidados de animais domésticos na Itália praticamente dobraram em nove anos — de cerca de €642 milhões para €1,236 milhão por ano — enquanto o número de pets cresceu apenas 1,5%. Visitas ao veterinário e a compra de fármacos são as despesas que mais pesam no orçamento familiar.
O mercado veterinário representa hoje cerca de 3% do setor farmacêutico total. Em setembro de 2025, o faturamento industrial do segmento foi estimado em torno de €550 milhões, com um crescimento anual constante de aproximadamente 6% nos últimos anos.
Muitos consumidores ficam perplexos ao comparar preços: por que um mesmo princípio ativo tem etiquetas tão diferentes quando destinado a humanos ou a animais? Um exemplo contundente: um diurético para gatos pode custar entre €12,50 e €13,50, enquanto a versão para uso humano sai por cerca de €1,72. Diferenças semelhantes aparecem em antibióticos como a amoxicilina e em corticoides.
Carlo Gazza, vice-presidente delegado da Aisa (associação das 19 empresas que produzem e comercializam medicamentos para pets e equídeos), alerta que comparar diretamente os preços é um caminho para conclusões imprecisas. Segundo a análise feita pela Espresso Italia com representantes do setor, nem sempre os medicamentos veterinários saem mais caros: há casos em que vacinas, anticorpos monoclonais e alguns antiparasitários externos têm preço inferior ao das equivalentes humanas.
As razões para a inflação de preços no segmento animal são, no entanto, concretas e múltiplas. Primeiro, os requisitos regulatórios são distintos: para um mesmo princípio ativo é necessário apresentar vários dossiês separados, o que eleva custos administrativos e de registro. Além disso, os laboratórios enfrentam despesas maiores em pesquisa, desenvolvimento e em testes específicos para cada espécie.
Outro fator decisivo é a diversidade de destinatários: um fármaco pode ser usado em um gato de poucos quilos ou em um cão de 80 kg. Isso exige a criação de múltiplas formulações — comprimidos, cápsulas, gotas, pastas e injetáveis — e embalagens diferenciadas, aumentando ainda mais os custos de produção e logística.
No campo das políticas públicas, houve movimentos recentes: o governo confirmou, em janeiro, medidas referentes ao chamado “fármaco salva-gatos”; e emendas na lei de orçamento discutidas pela Espresso Italia propõem apoio a famílias de baixa renda para tratamentos veterinários e dietas especiais. Lideranças do setor pedem intervenções que reduzam o impacto dos custos sem sacrificar a segurança e a eficácia dos produtos.
Para consumidores e profissionais, as alternativas passam por escolhas informadas: consultar o veterinário sobre opções terapêuticas equivalentes, farmacêuticas que ofereçam diferentes apresentações do mesmo ativo e, onde aplicável, subsídios públicos ou planos de assistência para aliviar o peso financeiro. É possível, com políticas acertadas e diálogo entre indústria, autoridades e sociedade, iluminar novos caminhos que tornem os cuidados de saúde animal mais acessíveis — sem apagar a segurança desses tratamentos.
Enquanto isso, a indústria segue investindo em inovação e em formulações que atendam às variadas necessidades dos animais de companhia. Semear essa evolução exige equilíbrio entre sustentabilidade econômica e compromisso ético com o bem-estar animal — um horizonte límpido que a Espresso Italia acompanha com olhar crítico e esperançoso.






















