Relatório técnico do hospital pediátrico Bambino Gesù classificou como não transplantável o órgão que foi implantado em Tommasino, criança de 2 anos internada no Monaldi, em Nápoles. A declaração foi confirmada à AGI pelo advogado da família, Francesco Petruzzi, mas, segundo o defensor, o hospital do Monaldi mantém a criança na lista de transplantes pelo menos até segunda-feira, aguardando atualização clínica e administrativa.
Segundo o advogado, “a Direção do Monaldi comunicou que o Bambino Gesù deu parecer negativo sobre a trapiantabilidade, porém o médico que operou o menino afirma que ele ainda é transplantável. Portanto, pelo menos até segunda-feira, permanecerá na lista de transplantes”. A discrepância entre pareceres médicos marca um ponto central na investigação em curso.
Tommasino está há mais de 50 dias conectado a um suporte cardiopulmonar (ECMO) desde que foi submetido a um transplante em que o coração doado apresentou defeito. O dano ao órgão ocorreu durante o transporte de Bolzano para o Monaldi: levantamento preliminar dos peritos aponta preservação inadequada, com uso impróprio de gelo seco (dióxido de carbono) no conteúdo destinado ao transporte.
Os NAS, responsáveis pela investigação requisitada pelo Ministério Público, já apreenderam o recipiente utilizado para o transporte do coração e parte da documentação associada. O contêiner será submetido a perícia de parte, com avaliadores ainda a serem nomeados. O inquérito corre por lesões culposas, e seis operadores sanitários estão sob investigação preliminar.
Repercussões administrativas foram imediatas: o ministro da Saúde, Schillaci, determinou o envio de inspetores ministeriais aos hospitais envolvidos — o San Maurizio, em Bolzano, e o Monaldi, em Nápoles. O presidente da Região Campânia, Roberto Fico, também mobilizou equipe de fiscalização no Monaldi para apurar toda a cadeia de responsabilidade.
Os pais de Tommasino descobriram a natureza do problema apenas pela imprensa dias depois da cirurgia. A mãe, Patrizia, relatou que, na ocasião, lhe haviam dito apenas que o transplante “não teve resultado positivo”. A família foi informada de que o menino estava ligado a um ECMO com duas hipóteses: a recuperação do próprio coração ou a chegada imediata de outro órgão compatível. Após mais de cinquenta dias, nenhuma evolução favorável ocorreu.
“O que realmente aconteceu nós soubemos pelos jornais e TV. Nunca imaginaríamos problemas no transporte e com o gelo. Se o coração não era utilizável, meu filho não deveria ter sido operado”, disse a mãe, em desabafo que soma a dor às questões técnicas e legais que rodeiam o caso.
Apuração em curso, cruzamento de fontes e perícias técnicas serão determinantes para esclarecer responsabilidades. A realidade traduzida até agora indica falhas no protocolo de transporte de órgãos e abre caminho para responsabilizações penais e administrativas, além da necessidade imediata de revisões nos procedimentos logísticos entre regiões.






















