Por Stella Ferrari — Italo anunciou a implementação da conectividade via Starlink em toda a sua frota de trens, tornando‑se a primeira grande companhia ferroviária de alta velocidade no mundo a equipar integralmente seus comboios com uma solução de Wi‑Fi por satélite. Em minha análise, essa é uma calibração estratégica — como ajustar o motor de um veículo de alta performance — que deve acelerar a experiência a bordo e abrir espaço para novos serviços de entretenimento e produtividade.
Depois de quase um ano de testes em trens a 300 km/h, a rede da Starlink alcançou velocidades superiores a 400 Mbps e apresentou latência média de 25 ms. Esses parâmetros, comprovados em operação real, atendem às demandas contemporâneas por streaming ininterrupto, videoconferências e jogos online, eliminando muitos dos “freios” que a conectividade convencional impunha aos passageiros.
Os resultados de satisfação reforçam a eficácia da solução: 85% dos passageiros que utilizaram o sistema durante os testes declararam‑se plenamente satisfeitos — com 32,5% atribuindo nota 4 e mais de 51% conferindo nota máxima 5 numa escala de 0 a 5. Aproximadamente 80% avaliaram a experiência de navegação como superior comparada ao serviço anterior. Esses índices indicam não apenas um ganho técnico, mas uma melhoria tangível na percepção de serviço, crucial para companhias premium que competem por fidelidade e rendimento por passageiro.
Italo planeja iniciar a instalação do sistema Starlink a partir da metade de 2026, com conclusão prevista para 2027. A expectativa é transformar a jornada em um ambiente cada vez mais conectado, permitindo a expansão de ofertas multimídia a bordo e a disponibilização de serviços digitais que dependem de banda larga estável. Em termos estratégicos, trata‑se de uma intervenção que afeta a proposição de valor do produto viagem: não é apenas deslocamento, é um espaço produtivo e de lazer de alta performance.
“Este acordo com a Starlink representa um compromisso importante e estratégico, que confirma nosso investimento em melhorar a experiência de viagem. Vivemos em um mundo sempre conectado, por isso decidimos investir para oferecer essa possibilidade aos nossos viajantes. Somos a primeira grande companhia ferroviária de Alta Velocidade do mundo a apostar nesta tecnologia”, declarou Gianbattista La Rocca, Administrador‑Delegado da Italo.
Do ponto de vista operacional e de mercado, a adoção da Starlink reduz a dependência de infraestrutura terrestre heterogênea, especialmente em trajetos que contornam obstáculos geográficos. Para os gestores, trata‑se de uma estratégia de diversificação de risco: a redundância satélite‑terrestre funciona como um sistema de backup sofisticado, similar ao plano B em um design de engenharia que garante continuidade.
Como economista com foco em alta performance, vejo nesta iniciativa um catalisador para dois movimentos simultâneos: a melhoria imediata da experiência do passageiro e a possibilidade de monetização adicional por meio de novos serviços digitais. A calibragem correta entre investimento em conectividade e retorno via serviços a bordo será determinante para a rentabilidade desse projeto.
Italo, ao adotar a Starlink, não apenas moderniza sua oferta técnica como reposiciona seu produto no mercado, apontando para um futuro em que viajar será tão eficiente e conectado quanto dirigir um carro de alta engenharia — com todos os sistemas finamente calibrados para desempenho máximo.






















