Marco Rubio, identificando‑se como secretário de Estado dos Estados Unidos, ofereceu na Conferência de Segurança de Munique uma avaliação direta sobre o estado das negociações e da ordem internacional. Em tom medido, porém firme, afirmou: “não sabemos se os russos são sérios na sua vontade de pôr fim à guerra”. A declaração precede novos contatos diplomáticos previstos para a próxima semana em Genebra.
Rubio usou a tribuna para uma crítica explícita às instituições multilaterais tradicionais: “As Nações Unidas ainda têm um enorme potencial para servir ao bem comum, mas não podemos ignorar que, hoje, nas questões mais urgentes, não oferecem respostas e praticamente não desempenharam papel algum. Não conseguiram resolver a guerra em Gaza.” Em contraste com esse diagnóstico, destacou a iniciativa da administração do presidente Donald Trump, que instituiu um “Conselho de Paz” com a missão de contribuir para soluções de conflitos.
Na sua intervenção, o secretário enfatizou a necessidade de revitalizar as ligações transatlânticas. “Não buscamos dividir, mas revigorar uma velha amizade e renovar a maior civilização da história humana. O que queremos é uma aliança rinvigorida”, declarou Rubio, propondo uma ambição que ele descreve como a restauração da ordem mundial sob a liderança norte‑americana.
Com a serenidade de um diplomata que observa o tabuleiro antes de mover uma peça decisiva, Rubio afirmou que os Estados Unidos se guiam por uma visão de futuro “tão orgulhosa, soberana e vital quanto o passado da nossa civilização”. Admitiu, ainda, que Washington está disposto a agir isoladamente, se necessário, mas reforçou a preferência por agir em conjunto: “Preferimos e esperamos atuar com vocês, nossos amigos na Europa”.
O secretário lançou, também, um aviso estratégico: aliados frágeis comprometem a força coletiva. “Os Estados Unidos e a Europa são feitos para estar juntos. Sabemos que o destino da Europa jamais será independente do nosso”, disse, evocando uma imagem quase arquitetônica das relações transatlânticas — alicerces comuns que, se enfraquecidos, arriscam desabar. “Não queremos que nossos aliados sejam fracos, porque isso nos enfraquece. Queremos aliados capazes de se defender, para que nenhum adversário se sinta tentado a testar nossa força coletiva.”
O discurso de Rubio articula, em poucas frases, uma visão de tectônica de poder onde a robustez da aliança é peça central para dissuasão e estabilidade. Ao evocar soluções multilaterais reformadas — e, simultaneamente, novas estruturas como o “Conselho de Paz” —, o secretário desenha um projeto de reafirmação americana que busca parceiros europeus fortes e capazes.
À medida que a comunidade internacional observa os próximos encontros em Genebra, a mensagem de Munique fica clara: a diplomacia está em movimento, mas a confiança entre atores é frágil; a reconciliação e a segurança dependem tanto da seriedade dos interlocutores quanto da solidez dos laços transatlânticos. No tabuleiro geopolítico atual, cada peça foi recolocada — e resta ver se os adversários responderão com movimentos de boa‑fé ou com novos gestos de confronto.






















