Por Giulliano Martini — Apuração em Roma. Desde a manhã desta sexta-feira, a circulação ferroviária nas linhas de Alta Velocidade entre Roma e Nápoles e entre Roma e Florença está fortemente comprometida em razão de atos dolosos cometidos por desconhecidos. Fontes oficiais e técnicos em campo confirmam que há, pelo menos, dois pontos de danificação da infraestrutura sob investigação, com um terceiro episódio ainda em apuração.
Segundo nota de atualização da operadora, a Trenitalia informou, às 12h, que os danos registrados entre Roma Tiburtina e Settebagni obrigam a adoção de procedimentos de verificação solicitados pela Autorità Giudiziaria. Em consequência, a circulação dos trens de Alta Velocidade e regionais pode sofrer redirecionamentos pela linha convencional, com acréscimos no tempo de percurso de até 120 minutos.
Na prática, a remoção e a inspeção dos danos ao material e aos cabos da via, além dos protocolos de segurança que exigem desaceleração, provocam longos atrasos. A nota da Trenitalia aponta ainda que alguns serviços regionais estão com percursos limitados ou cancelados e que determinados trens de Alta Velocidade e Intercity deixaram de efetuar parada em Roma Tiburtina.
Para a ligação entre Roma e Nápoles, a circulação também segue reduzida por verificações da Autoridade Judiciária entre Roma Prenestina e Anagni, decorrentes de novo dano à infraestrutura por terceiros. Nessa rota, os trens de Alta Velocidade podem ser redirecionados pela linha convencional via Formia, com acréscimo de até 60 minutos no tempo de viagem. Técnicos da RFI (Rete Ferroviaria Italiana) estão no local realizando intervenções emergenciais.
Em declaração pública, o vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, qualificou os eventos como “atos criminosos odiosos contra os trabalhadores e contra a Itália”, informou ter ampliado a vigilância e os controles para identificar os responsáveis e pediu que não se minimize nem se justifique condutas que colocam em risco vidas.
Do lado dos consumidores, a associação Codacons anunciou que, caso os responsáveis sejam identificados, promoverá ações judiciais visando ressarcimentos em favor dos passageiros afetados pelos transtornos. A entidade ressalta que os atrasos causam danos materiais e morais consideráveis às pessoas prejudicadas.
O Codacons também lembrou o conteúdo do Regulamento Europeu 2021/782, que define direitos e obrigações dos passageiros ferroviários. A norma prevê que uma empresa ferroviária pode não ser obrigada a pagar indemnizações se demonstrar que o atraso, a perda de ligação ou a supressão do serviço decorreu de um comportamento de terceiros que a própria operadora, mesmo agindo com a diligência requerida, não podia evitar nem neutralizar — incluindo casos como presença de pessoas nos trilhos, furto de cabos ou danos deliberados à infraestrutura.
Nos próximos passos, autoridades policiais e judiciais prosseguem com o raio‑x das ocorrências: perícias técnicas, imagens de vigilância e cruzamento de fontes para identificar responsáveis e eventuais motivações. A prioridade declarada é restabelecer a segurança plena da circulação e reduzir o impacto aos passageiros, com comunicação contínua das operadoras e das autoridades.
Este é um registro factual da situação em curso, com base em informações oficiais e apuração direta das empresas e das autoridades competentes. Atualizações serão incorporadas à medida que novos elementos forem confirmados.






















