Filho de Alessandro Gassmann e neto de Vittorio Gassmann, Leo Gassmann (Roma, 1998) carrega um sobrenome emblemático do cinema italiano. Ainda assim, o seu percurso artístico não é mera extensão de uma dinastia: é uma escolha consciente pela música como espaço de autonomia e definição. Da primeira guitarra na infância ao conservatório, passando pela escrita como instrumento emocional, o caminho de Leo se afirma na voz e na canção.
O primeiro contato massivo com o público veio em 2018, no palco do X Factor, onde conquistou corações com “Piume”. Em 2020, venceu a sezione Nuove Proposte do Festival di Sanremo com “Vai bene così”, um tema que expõe a sua poética: fragilidade, autocuidado e resiliência. Em 2023 retornou ao Ariston entre os Big com “Terzo cuore”. Agora, para o Sanremo 2026, volta com “Naturale” — e garante estar “tranquilo”.
“Hoje sou mais consciente, tenho uma visão clara dos meus horizontes; vou chegar em forma física e mental, porque esse palco merece respeito, é uma responsabilidade”, diz Leo. Escrita em parceria com Francesco Savini, Mattia Davì e Alessandro Casali, “Naturale” surge como um grito de amor: um apelo a se valorizar, cuidar de quem se tem perto e guardar a canção num lugar seguro do coração. ‘‘Acho que cada pessoa encontrará um significado diferente nesta música’’, ele conta.
Em sua leitura, cantar sobre o amor é um gesto necessário. À primeira vista pode parecer simples, mas é exatamente das coisas simples que nascem as grandes revoluções. “Naturale é um primeiro passo: está entre o que fiz até hoje e uma estrada pop que eu adoro e talvez continue a trilhar. Era preciso dar esse passo de maturidade. Preciso de paz; preciso mostrar o que me vibra na alma, contar o que vivo e como eu olho o mundo”.
O refrão ecoa como um verso de cinema: ‘Se ci vedremo tra vent’anni, avremo ancora voglia di spaccarci il cuore a metà. Ma la verità è che fare la pace è più naturale’. A imagem é quase uma cena suspensa — o roteiro oculto da vida que escolhe a reconciliação como cena final.
Para a serata das cover, Leo convidou o amigo Aiello para duetar em “Era già tutto previsto”, de Riccardo Cocciante, composição de 1975 que voltou aos holofotes como trilha do filme “Parthenope”, de Paolo Sorrentino, para falar da circularidade da vida frente ao tempo inexorável. “Vamos brincar com sinceridade e transparência, porque num mundo plastificado a autenticidade é o que as máquinas não conseguem replicar. Vamos colocar muito amor; vamos nos divertir; vamos nos emocionar. Eu provavelmente vou chorar”, prevê Leo.
Essa busca por verdade será também o fio condutor do novo álbum, Vita Vera Paradiso, com lançamento marcado para 10 de abril. O disco representa uma nova era — “espero mais madura” — nas palavras do próprio artista. Enquanto os dois primeiros álbuns foram de grande pesquisa e de flirt com gêneros diversos, este nasceu apenas com uma guitarra, em viagens com amigos, na praia, nas montanhas e entre colinas. Canções forjadas em momentos de vida verdadeira, com toques de sonoridade country e uma urgência de intimidade.
Numa era em que o entretenimento funciona como espelho do nosso tempo, Leo Gassmann não visa somente entreter: compõe um reframe emocional, mostrando que a música pode ser um mapa para a paz e uma casca onde se abriga a maturidade. É pop, sem perder a vontade de dizer algo essencial.





















