Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia.
Durante um treino em Dobbiaco, a jovem esquiadora italiana Giada D’Antonio, de 16 anos, sofreu uma queda que gerou preocupação imediata entre a equipe técnica e médica presente na pista. A atleta, que se preparava para o gigante de quarta-feira, perdeu o equilíbrio após uma entrada de lâmina — uma inforcata — e foi prontamente assistida pelo staff.
Os primeiros exames e avaliações foram realizados ainda na pista e encaminhamentos clínicos foram iniciados. A principal apreensão é em relação ao seu joelho, área que costuma exigir cautela em quedas de esqui alpino e que, se lesionada, pode comprometer trajetórias de formação aceleradas como a de Giada D’Antonio.
O episódio ganha contornos mais delicados por se tratar de uma das atletas mais jovens dos Jogos de Milano Cortina 2026. A própria D’Antonio já teve no evento uma estreia marcada pela ambição: entrou na combinada e foi forçada a abandonar por conta de outra inforcata durante a passagem pelo slalom. “Stavo attaccando, nello slalom è un attimo sbagliare” — traduzindo a autocrítica, tratou-se de um erro num momento de ataque, típico de quem busca desempenho e ainda se encontra em curva de aprendizado.
Natural de Nápoles e filiada ao Sci Club Vesuvio, Giada construiu seu caminho longe dos centros tradicionais do esqui alpino italiano. Aprendeu a amar o esporte nas encostas de Roccaraso, no Abruzzo, impulsionada pela paixão do pai Fabio. Para competir, suportou anos de deslocamentos extensos — viagens de até doze horas em automóvel ou em micro-ônibus — um dado que ilumina a face menos glamorosa da formação esportiva no país: talento que se impõe apesar da distância dos recursos.
O reconhecimento veio com força no final do ano passado: em novembro, Giada D’Antonio venceu dois slaloms FIS na Suíça, resultados que a colocaram em evidência e motivaram a federação a integrá-la na seleção nacional C, acelerando sua trajetória. Em dezembro estreou na Copa do Mundo em Semmering; uma saída na primeira manga não deteve o processo. Em Spindleruv Mlyn, mostrou competitividade ao ficar fora da segunda manga por apenas um centésimo, superando atletas com muito mais experiência — passo decisivo para a confiança dos técnicos e para a escolha que a levou aos Jogos.
Se a lesão se confirmar, será um teste não apenas para a carreira precoce de Giada D’Antonio, mas para a capacidade das estruturas federativas e médicas de protegerem e gerirem talentos jovens em ritmo acelerado. O esporte de alto rendimento exige que se equilibre ambição e prudência; episódios como este lembram que a formação esportiva é também uma política pública e uma responsabilidade coletiva.
Seguiremos acompanhando as atualizações médicas e qualquer posicionamento oficial da Federação Italiana de Esqui. A integridade do joelho de D’Antonio e a gestão do seu retorno ao treino serão determinantes para o que vem a seguir na sua trajetória rumo a uma carreira internacional que já demonstrou precoce brilho.






















