Por Chiara Lombardi — Em uma noite que misturou nostalgia e espetáculo televisivo, Affari Tuoi voltou a provar sua força como espelho do gosto popular. Na sexta-feira, 13 de fevereiro, o especial “Affari Tuoi – Nella Buona e nella Cattiva Sorte” registrou 4.231.000 espectadores e um expressivo 23,4% de share (exibição das 20h48 às 23h), conquistando a primeira posição na primeira faixa nobre.
O resultado confirma uma tendência: formatos clássicos de entretenimento, quando reposicionados com inteligência, continuam a falar com o público. Os famosos “pacchi” — esse ícone quase cinematográfico do jogo televisivo — atuaram como pequenos objetos de narrativa coletiva, mobilizando nostalgia e a curiosidade imediata do espectador, como se cada mala escondesse uma mini-trama do nosso tempo.
Em segundo lugar, Io Sono Farah, exibido pela Canale 5, alcançou 1.945.000 telespectadores e 14,6% de share, sinalizando firme interesse por produções com apelo dramático. Já a transmissão do Olimpíadas Inverno Milano-Cortina 2026 (pattinaggio artistico) na Rai2 reuniu 2.071.000 espectadores, com 11,1% de share — um dado que lembra como o esporte ao vivo segue sendo um eixo de atenção coletiva, capaz de reunir audiência e conversar com a memória nacional.
Fora do pódio, outros títulos e suas performances: Quarto Grado (Rete4) anotou 1.010.000 espectadores e 7,7% de share; Propaganda Live (La7) teve 846.000 espectadores e 6,2%; Pirati dei Caraibi – Oltre i confini del mare (Italia1) registrou 760.000 e 4,7%; I Migliori Fratelli di Crozza (Nove) somou 329.000 e 1,8%; e Past Lives (Rai3) marcou 314.000 e 1,7%.
No front de acesso (Access Prime Time), o dominador foi La Ruota della Fortuna com 4.745.000 espectadores e 23,6% de share. Em seguida, Cinque Minuti (Rai1) alcançou 3.622.000 espectadores e 18,7%, enquanto Un Posto al Sole manteve 1.440.000 espectadores com 7,2% de share. Outros destaques: Otto e Mezzo (La7) com 1.354.000 e 6,8%; Il Cavallo e la Torre (Rai3) com 1.001.000 e 5,1%; e N.C.I.S. – Unità Anticrimine (Italia1) com 992.000 espectadores e 5%.
Mais do que números, esses índices contam uma história sobre programação e memória coletiva: o público responde tanto ao conforto do formato conhecido quanto à novidade bem enquadrada. Em termos semióticos, a televisão age como um set de filmagem contínuo da contemporaneidade — alguns programas assumem o papel de protagonistas, outros são figurantes que, no entanto, compõem o mesmo cenário cultural.
Para os diretores de grade, o desafio permanece o mesmo: equilibrar tradição e renovação, como um diretor de cena que reposiciona luzes e enquadramentos para revelar novos significados. E para nós, espectadores, restam as malas do jogo, a roda que gira e as performances que, por vezes, se parecem com um roteiro oculto da sociedade.






















