Giorgia Meloni, em Addis Abeba, anunciou à imprensa italiana que a Itália recebeu o convite para participar como País observador do Board of Peace convocado por Donald Trump em Washington, numa iniciativa voltada às negociações sobre Gaza. “Siamo stati invitati come Paese osservatore e secondo noi è una buona soluzione rispetto al problema che chiaramente abbiamo della compatibilità anche costituzionale con l’adesione al Board of Peace”, disse a primeira‑ministra, reiterando a prudência institucional que tem marcado as decisões do governo.
Meloni acrescentou que o convite chegou apenas ontem e que a resposta será positiva, embora o nível de participação — se técnico, ministerial ou de outro formato — ainda tenha de ser definido. “Quindi penso che risponderemo positivamente a questo invito a partecipare come Paese osservatore, a quale livello lo dobbiamo ancora vedere, perché l’invito è arrivato ieri”, explicou a premiê, sublinhando a necessidade de compatibilidade constitucional ao ponderar o papel que Roma exercerá.
No mesmo discurso, após a sessão plenária da União Africana, Meloni defendeu que, depois do trabalho que a Itália já realizou e continua a realizar pela estabilização do Médio Oriente, uma presença italiana e europeia é imprescindível. “Una presenza italiana ed europea è necessaria”, afirmou, traçando a imagem de uma diplomacia que atua como ponte privilegiada entre continentes e apontando a cooperação como alicerce da ação externa italiana.
Intercalando avaliação internacional e política europeia, a primeira‑ministra também citou a necessidade de um relançamento da União Europeia. Referindo‑se às observações do político alemão Merz, Meloni concordou que “l’Europa deve occuparsi di se stessa” e que deve haver um reforço em áreas como a segurança e a chamada coluna europeia da NATO — uma posição que ela qualifica como compatível com o relacionamento transatlântico.
Ao discursar perante chefes de Estado e de Governo na Assembleia anual da União Africana, a premiê enfatizou a historicidade e a vocação italiana para o diálogo: “La nazione che ho l’onore di guidare ha nel suo dna caratteristiche che da sempre la rendono un partner rispettato: la sua propensione al dialogo, la sua capacità di discussione e il rispetto per gli altri che viene prima di ogni cosa”. A palavra que, segundo Meloni, define a política externa italiana é cooperação, vista como ferramenta prática para construir segurança e prosperidade mútua.
Na linha dessa metáfora sobre arquitetura de relações internacionais, Meloni lembrou que “l’Italia e l’Europa non possono pensare al loro futuro senza prendere nella giusta considerazione l’Africa”. “Il nostro futuro dipende dal vostro”, pontuou a premiê, explicitando a visão de que os destinos económicos e sociais estão ligados por uma espécie de alicerce comum.
Por fim, Meloni tratou do convite para a participação da Itália na Assembleia dos chefes de Estado e de Governo da União Africana como um reconhecimento: “È un riconoscimento che può solo rendere l’Italia orgogliosa e che accettiamo con grande rispetto e senso di responsabilità. È una dimostrazione di fiducia che non deluderemo”. Em tom de repórter que acompanha a construção de direitos e de pontes entre nações, a posição italiana aparece como tentativa de equilibrar responsabilidade internacional e salvaguarda constitucional — o peso da caneta na definição do papel de Roma no tabuleiro diplomático.
Como correspondente atento às decisões de Roma e ao impacto direto sobre cidadãos e migrantes, registro que a adesão como País observador ao Board of Peace representa um movimento calculado: permite presença e influências nos debates sobre Gaza sem comprometer limites internos. Resta acompanhar como será definido o nível de representação e que efeito real isso terá nas negociações e na estabilização regional.






















