O INGV (Istituto Nazionale di Geofisica e Vulcanologia) e o NIED (National Research Institute for Earth Science and Disaster Resilience) do Japão assinaram um Memorando de Cooperação (MoC) para estruturar um intercâmbio sistemático de dados e tecnologias com foco no monitoramento de desastres naturais. A assinatura, realizada pelos presidentes Fabio Florindo e Kaoru Takara, envolve também o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano (MAECI) e o Ministério da Ciência japonês (MEXT), configurando um eixo estratégico entre duas nações com capacidade avançada em estudos sobre fenômenos endógenos.
O acordo estabelece a troca contínua de informações e o desenvolvimento conjunto de pesquisa nas áreas de sismologia, vulcanologia e ciências ambientais. Na prática, isso significa integrar os fluxos de dados das respectivas redes de monitoramento para alimentar modelos preditivos mais robustos, resultado da convergência de competências multidisciplinares.
Na camada tecnológica do MoC, estão previstas a realização de experimentos laboratoriais de alta tecnologia e programas avançados de formação. O objetivo declarado é projetar algoritmos e sistemas de alerta precoce capazes de aumentar a resiliência das infraestruturas civis e apoiar o desenvolvimento sustentável dos territórios mais expostos.
Do ponto de vista operacional, a cooperação busca transformar evidências científicas em ferramentas aplicáveis — sensores, modelos numéricos e protocolos de interoperabilidade — que funcionem como uma espécie de infraestrutura de segurança para as comunidades. “Esta parceria consolida um enfoque sinérgico nas importantes atividades de troca e compartilhamento no âmbito das geociências, reforçando uma colaboração científica significativa entre Itália e Japão”, afirmou o presidente do INGV, Fabio Florindo.
Em termos práticos, a assinatura do MoC promove três vetores principais: 1) integração dos sistemas de monitoramento e compartilhamento em tempo quase real dos dados sísmicos e vulcânicos; 2) desenvolvimento conjunto de modelos preditivos e algoritmos de detecção; 3) capacitação técnica por meio de cursos e experimentos laboratoriais coordenados. Esses vetores refletem a consciência de que a prevenção de riscos naturais exige interoperabilidade entre plataformas de cálculo, sensores e centros de decisão.
Como analista que observa a arquitetura digital que sustenta a segurança pública, vejo esse acordo como a consolidação de camadas de inteligência que se ancoram tanto em tecnologias palpáveis quanto em redes de conhecimento. A colaboração Itália-Japão reforça o papel dos dados como um alicerce invisível — quase elétrico — do sistema nervoso das cidades e das comunidades que dependem de decisões baseadas em evidência.
O MoC também sublinha uma mudança de paradigma: a pesquisa científica é tratada como infraestrutura. Em 2026, a mitigação do impacto de terremotos e vulcões passa pela capacidade de integrar sensores, modelos e pessoas em uma cadeia interoperável de resposta. A parceria entre INGV e NIED confirma que essa cadeia será tanto técnica quanto diplomática, exigindo protocolos, padrões de dados e formação contínua para transformar conhecimento em proteção real para os territórios.
Imagem de capa sugerida: foto da assinatura do MoC com Fabio Florindo e Kaoru Takara, sobreposta a mapas de redes de monitoramento sísmico e vulcânico.






















