Por Stella Ferrari — As bolsas europeias registraram piora significativa após a divulgação do dado de inflação nos EUA referente a janeiro, que veio abaixo das expectativas do mercado. Apesar da bolsa americana ter aberto próxima à paridade, os principais índices europeus ficaram no vermelho e ampliaram perdas ao longo da sessão.
A piazza de Milão e a Bolsa de Madrid lideraram os recuos, com quedas de cerca de -2,2%, movimento que acabou levando o balanço da semana para o território negativo. O comportamento ressalta a sensibilidade dos mercados europeus a choques de dados macro vindos dos EUA — afinal, o motor da economia global continua interligado e qualquer desaceleração inflacionária americana recalibra expectativas sobre juros e fluxos de capital.
Setores mais cíclicos sentiram o impacto com intensidade: as ações de bancos foram particularmente penalizadas, com recuos que chegaram a -4% em algumas instituições. Entre os nomes industriais, destacou-se a queda de cerca de -5% da Prysmian, afetada por hipóteses de que um eventual alívio dos dazis americanos sobre o aço possa favorecer concorrentes menos expostos ao mercado dos Estados Unidos.
No front cambial, o par euro/dólar permaneceu relativamente estável, rondando a marca de 1,18, enquanto o segmento de ativos digitais mostrou fraqueza: o Bitcoin manteve-se abaixo dos 70.000 dólares. Já o mercado de energia demonstrou estabilidade após as quedas recentes, com o Brent cotado em torno de 67 dólares por barril e o WTI na faixa dos 63 dólares.
Como estrategista, registro que a leitura deste episódio exige uma visão calibrada: uma inflação americana mais fraca reduz a pressão imediata para uma agressiva elevação de juros por parte do Federal Reserve, mas também pode desencadear realocações de risco que funcionam como freios fiscais nas valorizações de títulos e ações europeias. Em termos práticos, a sessão mostrou que a volatilidade está à espreita até que discursos de autoridades monetárias e indicadores subsequentes apontem um caminho mais definido.
Do ponto de vista de portfólio, a recomendação é manter disciplina na gestão de risco, revisar exposição a ações sensíveis a comércio e aço, e observar sinais de fluxo que possam antecipar uma rotação entre setores. Em linguagem de engenharia financeira, estamos em fase de recalibragem — é preciso ajustar a suspensão do portfólio enquanto o mercado encara esse teste de pavimento macroeconômico.
Seguiremos monitorando os próximos relatórios econômicos e declarações dos bancos centrais. A aceleração de tendências ou a aplicação de freios dependerá, em grande medida, do conjunto de leituras futuras sobre inflação, empregos e dinâmica do comércio internacional.






















