Giulliano Martini — A bandeira arco-íris, ícone histórico e símbolo do movimento por direitos civis LGBTQIA+, voltou a tremular em Christopher Street, ao lado do Stonewall Inn, após ter sido retirada por determinação da administração Trump. A reintegração do estandarte ocorreu no mastro de Christopher Park, monumento nacional administrado pelo National Park Service, e foi recebida com aplausos pela população presente.
A retirada do grande drapeado colorido foi executada silenciosamente nos dias anteriores, conforme relato do National Park Service. O motivo apresentado pelo órgão federal foi técnico: uma diretiva datada de 21 de janeiro de 2026 restringe a exibição de bandeiras em propriedades federais à bandeira dos Estados Unidos, à do Departamento do Interior e ao emblema POW/MIA destinado a prisioneiros de guerra e desaparecidos. A explicação, no entanto, não convenceu lideranças locais e ativistas.
O local afetado, o Stonewall National Monument, foi declarado monumento nacional em 2016, durante a presidência de Barack Obama, tornando-se o primeiro sítio federal nos EUA dedicado à memória da comunidade LGBTQIA+. Christopher Park, a pequena praça onde se encontra o mastro, é uma praça simbólica: ali está o bar que, no fim da década de 1960, concentrou resistências contra o tratamento policial violento e a exclusão social que marcavam a vida de pessoas queer na cidade.
Os episódios de 1969 — desencadeados por uma batida policial no Stonewall Inn — são considerados a faísca que animou o moderno ativismo pelos direitos das minorias sexuais nos Estados Unidos e no exterior. Naquele contexto, frequentadores do bar reagiram às chamadas “raids punitivas” que vinham sendo praticadas com frequência, e dali emergiu uma mobilização que veio a transformar o debate público nas décadas seguintes.
A decisão de içar novamente a bandeira arco-íris foi celebrada por moradores, turistas e ativistas. Em resposta à retirada inicial, autoridades locais qualificaram o ato como uma tentativa de silenciar ou apagar simbolicamente a história do movimento. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que assumiu em janeiro, definiu a remoção como um “ato de cancelamento”, ressaltando que a cidade é berço das lutas LGBTQIA+ e que nenhuma medida federal pode apagar esse legado.
Do lado do governo federal, o National Park Service insiste que a medida segue uma norma administrativa, não uma ação de cunho político. Ainda assim, a controvérsia expõe um quadro de tensões ideológicas mais amplo entre a Casa Branca e comunidades organizadas por direitos civis, que vêm registrando atritos crescentes nos últimos anos.
O retorno da bandeira ao mastro de Christopher Park não altera apenas um cenário visual: representa a reafirmação pública de uma memória que muitos consideram inalienável. A presença do estandarte, fotografada por turistas e celebrada por residentes, reestabelece um ponto de referência simbólico para o movimento e reabre o debate sobre o papel e os limites das diretrizes federais em locais que preservam patrimônios sociais e políticos.
Apuração em Nova York, cruzamento de fontes locais e federal — relato direto, sem ruído. A realidade traduzida: a bandeira voltou a balançar, e com ela a evidência de que símbolos têm peso histórico e político que diretrizes administrativas isoladas dificilmente conseguem silenciar.






















