Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — Em uma intervenção à margem de um encontro sobre a reforma da justiça na Link Campus, o ministro da Justiça, Carlo Nordio, fez um apelo por um debate sereno e institucional sobre o referendo que tem mobilizado o país.
Segundo o ministro, nos últimos dias circulam conteúdos que são, ou fake news, ou publicações geradas com o auxílio de inteligência artificial que distorcem os factos e minam a razionalidade e a pacatez necessárias para uma conversa democrática. Nordio citou como exemplo um post nas redes sociais — posteriormente removido pelo Partido Democrático (PD) — que associava, de maneira leviana, a vitória do curling nas Olimpíadas ao voto não no referendo.
O Guardasigilli lembrou ainda um velho post manipulado em que lhe eram atribuídas declarações que nunca fez, sobre um alegado controle do Executivo sobre magistrados: “Ne hanno fatto uno anche su di me, che è stato smentito”, afirmou Nordio, sublinhando que o conteúdo divulgado distorceu a sua posição real. “Diziam que eu teria afirmado que os procuradores e juízes ficariam sob o controle do Executivo, quando eu disse exatamente o contrário”.
Com a voz de quem observa a arquitetura do voto e as implicações para a cidadania, Nordio advertiu: “É preciso estar preparado — não resignado — para estas fake news, que são jogos escorreitos para orientar eleitores de modo tendencioso”. O ministro pediu que o diálogo sobre a reforma seja mantido “em termos racionais, institucionais e jurídicos” e reforçou que não se trata de uma reforma “sovversiva” nem de um atentado à liberdade ou à democracia.
Nordio também comentou a medida prevista no novo projeto de lei sobre migração, aprovado ontem pelo Conselho de Ministros. Questionado sobre a chamada lente do Colle sobre o “bloco naval“, o ministro assegurou que as normas foram avaliadas quanto à conformidade com as normas europeias: “É tudo conforme às regras europeias — posso afirmar — porque, no Conselho de Ministros, avaliamos atentamente a conformidade das normas do decreto com as diretivas europeias e estão perfeitamente em linha”.
O ministro acrescentou que quem afirma o contrário demonstra desconhecimento das diretivas europeias. Em tom firme, Nordio deixou claro que espera que o debate publique se mantenha focado nos conteúdos legais e constitucionais, evitando a politização que, segundo ele, pode inflaminar os ânimos e afastar a população da compreensão real das mudanças propostas.
Como repórter que acompanha as decisões que saem de Roma e impactam a vida dos cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes, observo que a interação entre desinformação e política vulnerabiliza o processo de construção de direitos. É papel dos meios e das instituições construir pontes de informação claras, derrubando barreiras burocráticas e informacionais para que o eleitor possa formar uma opinião livre e fundamentada.





















