Por Marco Severini — Espresso Italia
A tempestade Nils desferiu um movimento severo no tabuleiro europeu, provocando vítimas e danos significativos em França, Espanha e Portugal. Em um episódio que traz à tona os alicerces frágeis da proteção civil e das redes de infraestrutura, um caminhoneiro perdeu a vida nas proximidades de Dax, no departamento das Landes, quando um galho arrancado pelo vento atingiu seu veículo. Na cidade de Castelsarrasin, no sudoeste francês, um funcionário municipal ficou gravemente ferido depois que árvores caíram sobre seu carro.
As rajadas foram extraordinárias em pontos costeiros e interiores: 162 km/h foram registados durante a noite em Biscarrosse, na costa atlântica, e 136 km/h em Mont-de-Marsan. Bombeiros franceses relataram mais de 200 intervenções nas primeiras horas da tempestade, lidando com árvores e linhas elétricas derrubadas. A companhia energética Enedis informou que cerca de 900.000 residências ficaram sem eletricidade e mobilizou 3.000 trabalhadores para restaurar o fornecimento.
Além dos ventos, Nils causou inundações ao longo da Garonne e desencadeou condições propícias a valanghas nos Alpes. O serviço meteorológico francês emitiu alerta vermelho para avalanches no departamento da Savoia e alerta laranja para Hautes-Alpes, Isère e Haute-Savoie. Na trajetória prevista, a tempestade dirigiu-se ao Golfo da Leiões e à Córsega, mantendo elevado o risco em áreas montanhosas e costeiras.
Na Espanha, a face da tempestade atingiu com particular intensidade a Catalunha: ventos acima de 100 km/h causaram pelo menos 25 feridos, entre eles uma pessoa em estado grave. A proteção civil regional registou rajadas de 105 km/h no porto de Barcelona, queda de árvores e muros, além de dezenas de pedidos de socorro. No aeroporto El Prat, 53 voos foram cancelados e oito desviados; além disso, estradas e linhas ferroviárias sofreram interrupções.
Também em Portugal, a tempestade deixou marcas: uma enchente provocou o colapso parcial de um viaduto numa autoestrada que liga Lisboa a Porto, evidencia da pressão hidrodinâmica sobre infraestruturas rodoviárias. Os danos materiais e as perturbações de transportes impõem respostas rápidas das autoridades locais e nacionais.
Do ponto de vista estratégico, Nils não é apenas um evento meteorológico isolado, mas um teste à resiliência das redes críticas — elétricas, de transportes e de proteção civil — e à capacidade de coordenação entre níveis de governo. Num tabuleiro onde o clima é uma peça que se movimenta com imprevisibilidade crescente, as lições exigem reforço da manutenção das florestas periurbanas, modernização das redes elétricas e planos de contingência mais robustos para núcleos populacionais costeiros e alpinos.
Enquanto as equipas de emergência trabalham para restaurar serviços e limpar vias, a prioridade permanece em reduzir riscos para populações vulneráveis, proteger corredores logísticos essenciais e prevenir novas tragédias. O traçado desta tempestade lembra que, numa era de eventos extremos, a arquitetura da segurança pública e da infraestrutura exige atualização contínua — um redesenho discreto, porém decisivo, das linhas de defesa nacionais contra a crescente frequência de choques climáticos.






















