Por Riccardo Neri — A Starbucks concluiu a migração da sua infraestrutura de pagamentos para a plataforma financeira da Adyen em 943 pontos de venda no Reino Unido, Áustria e Suíça. A iniciativa envolveu a instalação de 2.375 terminais de última geração, formando um ecossistema unificado projetado para reduzir fricções operacionais e aumentar a resiliência transacional.
O projeto se destacou pela velocidade e coordenação: a atualização de cerca de 900 lojas foi realizada em apenas sete semanas, com picos de até 125 instalações por semana, sem necessidade de fechar estabelecimentos ou interromper o atendimento ao público. Esse ritmo operacional revela um plano de implementação bem orquestrado, refletindo a prioridade estratégica de tratar a camada de pagamentos como um alicerce digital para as operações em loja.
Desde a ativação, o novo sistema já processou transações relacionadas a mais de 20 milhões de consumos. Feedbacks das equipes em loja apontam que a plataforma é mais rápida e intuitiva, reduzindo tempos de espera nas caixas e simplificando rotinas de fechamento contábil — ganhos de eficiência que, no conjunto, protegem receitas e melhoram a experiência do cliente.
Continuidade mesmo sem conectividade
Um dos elementos técnicos centrais da parceria é a capacidade de manter o serviço em cenários de conectividade degradada. Os terminais Adyen suportam a funcionalidade “Store and Forward”, que permite processar e criptografar pagamentos mesmo durante falhas de Wi-Fi ou cortes de internet. As transações realizadas offline ficam armazenadas de forma segura e são transmitidas para processamento assim que a conexão é restabelecida.
Os dados operacionais mostram que, desde agosto de 2025 até o momento, a solução recuperou mais de 45.000 transações que teriam sido perdidas por problemas de rede. Esse tipo de recuperação traduz-se diretamente em mitigação de risco de receita e em continuidade do serviço — fatores críticos quando se opera em escala continental.
Uma arquitetura de pagamentos como infraestrutura
Do ponto de vista sistêmico, a iniciativa segue uma estratégia global e padronizada: a parceria europeia complementa acordos já existentes com a rede de franquias Alsea no México, visando uma experiência de compra homogênea independentemente de fronteiras. Para redes com grande densidade de pontos de contato com o público, a padronização da camada de pagamentos funciona como energia invisível que alimenta o resto da operação.
Alexa von Bismarck, President EMEA da Adyen, ressaltou que a modernização é uma forma direta de proteger receitas: “Starbucks opera em escala extraordinária, onde cada segundo de uptime é crítico“. A plataforma unificada simplifica as operações em loja e confere a resiliência necessária para servir clientes sem interrupções.
John Elliot, VP Technology EMEA da Starbucks, reforçou que a robustez tecnológica apoia a hospitalidade: “Nossa parceria com a Adyen garante que a tecnologia de pagamentos seja tão sólida quanto o nosso serviço“. Essa estabilidade libera as equipes para focar no atendimento e na qualidade do produto, em vez de lidar com falhas ou procedimentos pontuais.
Em suma, a migração exemplifica como camadas digitais discretas — o “sistema nervoso” das lojas — podem aumentar a eficiência operacional e reduzir perdas. Para gestores de redes de varejo e operadores urbanos, o caso ilustra a importância de tratar pagamentos como parte da infraestrutura crítica: não apenas um serviço de balanço financeiro, mas um componente essencial do fluxo de atendimento e da experiência do cliente.






















