Por Chiara Lombardi — Em um movimento que soa como um refrão do roteiro oculto da história da arte moderna, quatro obras-chave de Claude Monet, Paul Signac, Edgar Degas e Fernand Léger serão apresentadas no leilão noturno da Sotheby’s em Londres, marcado para 4 de março. A seleção reúne clássicos do impressionismo, do pontilhismo e das primeiras incursões do cubismo, com estimativas que, somadas, alcançam até 24 milhões de libras (cerca de 28 milhões de euros).
No centro deste conjunto reluzente está Monet com Maison de Jardinier (1884), tela produzida durante uma estadia de dez semanas na Riviera italiana. A obra, que retrata o famoso jardim de Francesco Moreno em Bordighera, chega ao leilão com estimativa de até 8,5 milhões de libras. Para os curadores, trata-se de uma visão rara da paisagem italiana de Monet — pinturas desse período costumam estar preservadas em grandes museus como o Musée d’Orsay, o Metropolitan Museum of Art, o Dallas Museum of Art e o Art Institute of Chicago.
Complementam o lote Paul Signac com Marseille, Le Port (1934) e Fernand Léger com Les Hommes dans la Ville (1919), cada um estimado em até 6 milhões de libras, além de Edgar Degas com Scène de Ballet (c. 1885), avaliado em torno de 3,5 milhões de libras. Juntas, essas peças formam uma espécie de cápsula concentrada do percurso do modernismo — do impressionismo ao pontilhismo e ao cubismo — e oferecem um panorama que explica por que o mercado e as instituições continuam atentos a esses nomes.
Helena Newman, presidente da Sotheby’s na Europa para arte impressionista e moderna, descreve a seleção como “uma cápsula extraordinariamente concentrada da história do modernismo”. Newman sublinha ainda a excepcionalidade da vista da Riviera na obra de Monet, peça que já fez parte da coleção de John Singer Sargent. A decisão de levar essa tela a leilão coincide com o centenário da morte do artista, um fator que tem intensificado o interesse de museus e instituições internacionais.
O lance de Signac chega em um momento de renovado interesse institucional pelo neo-impressionismo, impulsionado por exposições recentes na National Gallery de Londres e pela aguardada mostra dedicada a Georges Seurat no Courtauld Institute of Art. Essa circulação entre mostras e leilões revela o eco cultural que essas obras provocam: não são apenas mercadorias, mas espelhos do nosso tempo e pontos de inflexão na narrativa do gosto.
Além do quarteto, a venda noturna de 4 de março em Londres inclui nomes fundamentais da arte moderna e contemporânea, como Donald Judd, Edvard Munch, Lucio Fontana e René Magritte, ampliando o leque entre abstração, simbolismo e vanguarda.
Mais do que cifras, a oferta da Sotheby’s propõe um reframe sobre como preservamos e reavaliamos a memória visual coletiva: cada obra é uma cena do ballet da história, um espelho do nosso tempo que nos força a ler o passado para entender o presente.






















