Por Chiara Lombardi — Em um breve vídeo institucional, Giordano Bruno Guerri, presidente da Fundação Nacional Collodi, desenhou um retrato otimista de Pistoia como verdadeiro motor cultural da Toscana. A cidade, ele afirma, não é apenas anfitriã de um título simbólico — Capitale del Libro —, mas um palco vivo onde memória, literatura e artes performáticas se entrelaçam, espelhando o que chamo de roteiro oculto da sociedade contemporânea.
Guerri anunciou uma programação contínua que reforça esse papel: conferências mensais inteiramente dedicadas ao universo de Pinóquio, um personagem que, mais que um conto de fadas, funciona como um dispositivo semiótico para discutir identidade, infância e tradição cultural. Esses encontros prometem transformar a cidade numa espécie de laboratório crítico, onde o clássico se refrata à luz das questões atuais.
O dirigente destacou também a revitalização de Collodi, com sinais palpáveis de renascimento: foram iniciadas as filmagens de um novo longa-metragem inspirado na obra, além da montagem de novas exposições e iniciativas com alcance internacional. É um movimento que combina a economia criativa com a preservação do patrimônio imaterial — um verdadeiro reframe da narrativa local que atrai olhares além das fronteiras italianas.
Outra boa notícia anunciada foi o riordino do Parco di Pinocchio. Segundo Guerri, o parque será reorganizado e, já em março, voltará a operar em plena capacidade. Para Pistoia, esse retorno não é apenas funcional; significa recompor uma paisagem simbólica que alimenta turismo cultural, pesquisa e uma série de atividades educativas.
Como observadora cultural, não vejo esses acontecimentos como episódios isolados, mas como cenas de um filme que se escreve em vários atos: o revival de Collodi funciona tanto como cenário físico quanto como espelho do nosso tempo, onde a recuperação do patrimônio dialoga com a economia criativa e com novas linguagens do audiovisual. A cidade, portanto, desempenha um papel híbrido — de preservadora e palco — que a coloca, legitimamente, no centro do mapa cultural toscano.
Em resumo, Pistoia, ao receber e ativar o título de Capitale del Libro, demonstra como a cultura pode ser motor econômico e intelectual. As conferências sobre Pinóquio, o início das filmagens, as exposições e a reabertura do Parco di Pinocchio em março são indícios tangíveis de um roteiro que privilegia memória, inovação e projeção internacional. É uma narrativa que vale acompanhar, cena a cena.
Chiara Lombardi
Analista cultural — Espresso Italia





















