Milano Cortina começou com expectativa patriótica, mas a estreia da seleção feminina italiana de curling terminou em duas derrotas no primeiro dia de competição em Cortina d’Ampezzo. No Cortina Curling Olympic Stadium, as azzurre — Giulia Zardini Lacedelli, Marta Lo Deserto, Elena Mathis, Stefania Constantini e Rebecca Mariani — foram superadas pela Suíça por 7-4 na sessão matinal e, à noite, perderam por 7-2 diante da Coreia do Sul.
Os resultados não devem ser lidos apenas como números: refletem a combinação de pressão de jogar em casa, adversários que vêm com ritmo de competição e momentos-chaves em que a Itália não conseguiu converter oportunidades. A presença de jogadoras como Stefania Constantini, já conhecida por conquistas anteriores no cenário internacional, traz experiência ao grupo; ainda assim, o torneio olímpico exige ajuste fino entre estratégia, execução e equilíbrio emocional — especialmente nas primeiras partidas, quando a tabela é configurada.
No confronto matinal com a Suíça, as italianas enfrentaram uma equipe tradicionalmente sólida no gelo, que capitalizou erros e consolidou vantagem em ends decisivos. A retranca defensiva aliada a jogadas de precisão permitiu à Suíça construir um placar difícil de recuperar. À noite, contra a Coreia do Sul, as italianas não conseguiram impor o ritmo e sofreram com variações de leitura de pedra e de pedras bem colocadas pelas coreanas, que fecharam o jogo em 7-2.
Para além do resultado imediato, cabe considerar o papel que a participação na Olimpíada tem na trajetória do curling italiano. O esporte cresceu no país nas últimas temporadas, ganhando visibilidade com resultados expressivos em competições internacionais. Jogar em casa, em um estádio concebido para os Jogos de Milano Cortina, é também performar uma narrativa: clubes e federação italianos apresentam sua capacidade organizativa e de formação. As derrotas iniciais são, portanto, um contraponto à ambição — um lembrete de que evolução e consistência são processos que se medem ao longo de vários encontros.
O calendário das azzurre prevê sequência difícil no sábado: pela manhã enfrentarão a China e à noite a Suécia. Ambas as adversárias exigirão ajustes táticos imediatos, sobretudo no preparo mental e na precisão de lançamentos. Há margem para reação, porque torneios de round-robin costumam premiar equipes que conseguem aprender e adaptar-se rapidamente.
Do ponto de vista mais amplo, o confronto em Cortina funciona como termômetro: as partidas em casa trazem exposição e responsabilidade, testando não apenas qualidade técnica, mas também as camadas que sustentam um projeto esportivo — preparação, rotação de atletas e profundidade do plantel. A federação italiana e a comissão técnica terão dias curtos para reavaliar rotinas e escolher caminhos que permitam às jogadoras transformar desapontamento inicial em recuperação competitiva.
Em suma, as duas derrotas inaugurais são um golpe momentâneo, mas não definem o percurso. O desafio imediato é converter lições em ações concretas nas partidas contra China e Suécia, preservando a ambição de representar o país com coerência numa vitrine que mistura esporte, identidade e memória coletiva: os Jogos de Milano Cortina.





















