Por Alessandro Vittorio Romano — A saúde do planeta respira em ciclos, e hoje a Itália vê germinar mais uma semente de responsabilidade global: o Izsve (Istituto zooprofilattico sperimentale delle Venezie) e o Izsler (Istituto zooprofilattico sperimentale della Lombardia ed Emilia-Romagna) foram oficialmente designados pela FAO como Centro de Referência para a redução dos antimicrobianos em explorações agrícolas, no âmbito do programa Renofarm.
É a primeira vez que nasce, a nível mundial, um polo com este mandato específico — uma voz técnica e científica que vai orientar políticas e práticas destinadas a transformar, de maneira sustentável, os sistemas agroalimentares. Com o apoio do Ministério da Saúde, a designação coloca a ciência italiana no centro de uma estratégia que olha para a saúde como um ecossistema: animais, pessoas e ambiente num mesmo ritmo — a velha e sábia abordagem One Health.
À frente do novo polo estão dois guardiões do bem-estar coletivo: os diretores sanitários Giovanni Cattoli (Izsve) e Giovanni Alborali (Izsler). Caberá a eles encantar a prática com conhecimento — traduzir evidências em orientações práticas para reduzir o uso de antibióticos em explorações, fortalecendo medidas de biossegurança, vigilância e programas de vacinação, além de promover diagnóstico rápido e formação contínua para produtores.
A resistência antimicrobiana permanece uma das ameaças mais urgentes à saúde pública global. Nos últimos anos, muitos países europeus, inclusive a Itália, registraram progressos na redução do uso de antimicrobianos na pecuária, mas o caminho é longo: o desafio exige sistemas de dados integrados, protocolos harmonizados, incentivos à adoção de práticas sustentáveis e uma cultura de responsabilidade entre todos os elos da cadeia.
O papel do Centro Renofarm será múltiplo: prestar suporte técnico-científico à FAO, elaborar guias operacionais, coordenar redes de monitorização, oferecer formação e promover projetos de pesquisa aplicados. Em palavras simples, será um farol que ajuda produtores, veterinários e decisores a navegar nos complexos humores da produção alimentar, preservando a eficácia dos medicamentos e cuidando do solo comum que nos alimenta.
Como observador atento do cotidiano, vejo nessa nomeação a tradução de um princípio natural: assim como uma vinha bem conduzida responde a podas e rotação, os sistemas agroalimentares também prosperam quando regados por práticas que respeitam os ciclos e as raízes do bem-estar. A redução responsável de antimicrobianos é, em última análise, uma colheita de hábitos que protege gerações futuras.
O sucesso do Centro dependerá da capacidade de unir saberes — ciência e campo, política e comunidade — num só compasso. A Itália, com a sua tradição de conhecimento veterinário e redes regionais de produção, oferece paisagens férteis para que essa experiência floresça. Resta acompanhar, com atenção sensível, como se dará a colheita: melhores práticas, dados confiáveis e cooperação internacional serão as estações necessárias para um futuro mais saudável.
Em resumo: a designação do Izsve e do Izsler como Centro FAO para a redução de antimicrobianos em explorações agrícolas é um passo concreto rumo à transformação sustentável dos sistemas agroalimentares — um gesto técnico, mas também profundamente humano, que conecta campo, cidade e saúde pública.





















