Ciao, viajante curioso — sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira apaixonada por segredos locais. Em um país onde cada rua tem uma história e cada piazza guarda uma cena, o cineturismo (ou, mais fielmente, media tourism) não é apenas moda: é uma força econômica e cultural que transforma filmagens em roteiros e luzes de set em experiências sensoriais.
Uma pesquisa da Jfc Tourism & Management, apresentada durante o Travel Makers Fest na Borsa Internazionale del Turismo, revelou números que fazem sonhar: o setor gera cerca de 600 milhões de euros por ano, com aproximadamente 1,3 milhões de pernoites diretamente ligados a filmes e séries e impressionantes 11 milhões de visitas diárias aos locais de produção. Andiamo — é um movimento que conecta cultura, turismo e economia de forma elegante.
Esses dados são confirmados pelas film commissions regionais, que mostram como o cinema e a televisão funcionam como alavancas de desenvolvimento territorial. A Veneto Film Commission calculou que, entre 2020 e 2024, foram realizadas na região 106 produções — entre filmes, séries e documentários —, incluindo títulos como Un passo dal cielo e o filme Città di pianura. O impacto estimado desse fluxo criativo foi de cerca de 118 milhões de euros repartidos por todas as províncias venetas.
Mais ao sul, a Apulia Film Commission destaca que, no mesmo período (2020-2024), 139 produções geraram cerca de 79,6 milhões de euros de impacto direto e outros 160 milhões de efeito indireto na economia local. Pequenas e grandes cidades, praças e vilarejos viram seus cenários naturais e arquitetônicos transformarem-se em palcos onde turistas buscam reencontrar personagens e cenas marcantes.
Um exemplo concreto desse efeito é Taranto: apenas 50 dias de filmagem da série Il Commissario Ricciardi renderam à cidade cerca de €1,66 milhão em atividade econômica, mostrando como um set pode reativar serviços, hospedagem e comércio local. É a prova de que a presença das câmeras desperta um encantamento que vai além do entretenimento — é desenvolvimento.
Para o viajante, o media tourism oferece a possibilidade de saborear a história com todos os sentidos: caminhar por becos que viram plano de fundo de dramas emocionais, reconhecer a luz dourada de uma cena e sentir, no ar, o perfume dos vinhedos que aparecem em uma sequência. Dolce Far Niente? Não exatamente — é o prazer ativo de descobrir.
Na prática, operadores turísticos e administrações locais têm investido em roteiros temáticos, sinalização dos locais de filmagem e eventos que aproximam fãs, moradores e profissionais. O resultado é um ciclo virtuoso: produção audiovisual que valoriza lugares, lugares que atraem visitantes, visitantes que valorizam a economia criativa local. É uma ópera coletiva, onde cada nota é uma experiência a ser compartilhada.
Se você planeja sua próxima viagem à Itália, deixe espaço no itinerário para seguir vestígios de cinema e TV. Andiamo — perdersi tra le strade, descobrir um café que já foi cenário, e brindar com um espresso à beleza das pequenas grandes histórias que fazem deste país um set a céu aberto.






















