Como o trabalho remoto iluminou o convívio entre humanos e felinos
O crescimento do smartworking mudou rotinas e revelou novos caminhos afetivos entre pessoas e seus animais de companhia. Um levantamento realizado pelo marketplace Rover.com, divulgado às vésperas da Giornata nazionale del gatto (17 de fevereiro), mostra que o tempo em casa beneficiou especialmente a convivência com os gatos, fortalecendo vínculos que antes eram sacrificados pelas jornadas presenciais.
Mais presença, mais carinho e mais brincadeira
A pesquisa indica que, para os felinos, a permanência dos humanos em casa tornou a relação mais sólida em cerca de 44% dos casos. Quase um terço dos donos revelou dedicar >duas horas por semana ao brincar com o gato (32%), enquanto 38% disseram empregar esse mesmo tempo em momentos de carinho e afeto. Esses dados deixam claro que a presença cotidiana cria oportunidades de cuidado e atenção que alumiam o cotidiano, permitindo pequenas celebrações e gestos de afeto.
Rituais domésticos que valorizam o animal como parte da família
Seis em cada dez proprietários afirmam considerar seus gatos membros da família, com celebrações que vão de um presente (24%) a uma refeição especial (36%). Há ainda 4% que organizam uma festa dedicada — pequenos rituais que tecem laços e marcam o lugar do animal no coração do lar.
Origem dos gatos: adoção, presente ou encontro do destino
Entre as cerca de mil pessoas consultadas, 28% relataram que escolheram procurar abrigos, gatis e associações para adotar seus felinos. Outros 27% receberam o gato como presente de amigos ou parentes, enquanto 31% reconheceram que o encontro foi do tipo acaso providencial: encontraram o animal na rua e, após confirmar que ele não tinha dono, decidiram levá-lo para casa. Esses caminhos distintos convergem para um mesmo horizonte: o compromisso em oferecer um lar e cuidado.
Tecnologia e vigilância afetuosa
O uso de recursos digitais também aparece na pesquisa: cerca de 30% dos tutores monitoram seus gatos à distância com câmeras e dispositivos inteligentes, uma forma prática de manter a presença emocional mesmo quando fisicamente ausentes. É uma tecnologia que, bem usada, ilumina a segurança e reduz a ansiedade — tanto dos donos quanto dos animais.
Quase metade abriria mão de uma viagem por falta de soluções para o gato
Um dado que traduz a intensidade do vínculo: quase metade dos entrevistados dizia estar disposta a renunciar a uma viagem se não encontrasse alternativas seguras e confiáveis para cuidar do seu gato. Essa escolha evidencia como a prioridade ao bem-estar animal tem peso nas decisões pessoais e no planejamento de vida.
Impactos econômicos e escolhas difíceis
Ao mesmo tempo, o estudo ressalta pressões financeiras: o aumento dos custos de manutenção de cães e gatos tem levado alguns tutores a adiar ou abrir mão de cuidados veterinários. É um lembrete de que amor e responsabilidade caminham também por vias práticas — e que políticas públicas e iniciativas comunitárias podem semear soluções para reduzir essa vulnerabilidade.
Uma visão de legado e cuidado
No olhar da Espresso Italia, esse cenário é mais do que estatística: é um convite para cultivar valores que atravessam lares e bairros. O smartworking não apenas reorganiza o tempo de trabalho, mas ilumina possibilidades de cuidado quotidiano, de reinvenção dos rituais familiares e de construção de redes de suporte para quem compartilha a vida com um gato. Ao celebrar esses laços, revelamos caminhos para cidades mais empáticas e sustentáveis — pequenos renascimentos culturais que começam em casa.
Texto por Aurora Bellini — curadora de progresso da Espresso Italia, dedicada a histórias de convivência, inovação humana e legado afetivo.






















