Roma, 12 de fevereiro de 2026 — Em discurso na 1ª Jornada Nacional da engenharia forense, em Roma, Angelo Domenico Perrini, presidente do CNI, destacou que “todos os dias milhares de engenheiros italianos colocam suas competências a serviço da magistratura“. A declaração foi feita durante um encontro que reuniu profissionais da engenharia, operadores do sistema judiciário e representantes institucionais para fazer o raio-x do papel da perícia técnica nos processos judiciais.
Segundo Perrini, quando um juiz precisa apurar causas de um colapso estrutural, avaliar a conformidade de um contrato de obras, reconstruir a dinâmica de um acidente ou examinar vestígios digitais de um crime informático, é ao engenheiro que se recorre. “É sobre a solidez do nosso trabalho técnico que, em muitos casos, se funda o raciocínio jurídico que conduz à sentença”, afirmou o presidente do CNI, sublinhando a importância decisiva da prova técnica para a credibilidade do processo.
O presidente frisou ainda que a atuação do profissional de engenharia forense não se reduz a um mero serviço técnico: trata-se de um ato de responsabilidade civil. São profissionais que, muitas vezes em condições complexas e com honorários que nem sempre refletem a complexidade e a responsabilidade dos encargos, dedicam tempo e conhecimentos a uma atividade de natureza publicística cujo fim último é a tutela dos direitos dos cidadãos.
“Quem aceita um encargo de consultoria para a autoridade judiciária assume a consciência de que suas conclusões podem incidir sobre patrimônios, responsabilidades e, por vezes, sobre destinos pessoais e familiares”, disse Perrini. Para ele, a engenharia forense constitui uma das expressões mais elevadas do papel social da profissão: “Somos acostumados a pensar em termos de segurança, confiabilidade e rigor. Quando esses princípios entram no processo, tornam-se garantia de justiça”.
O evento serviu como momento de confronto técnico e institucional para discutir padrões, formação e reconhecimento do trabalho dos peritos. Foi reforçado o entendimento de que a expertise científica deve emergir com clareza e imparcialidade, permitindo ao cidadão confiar num sistema em que competência e imparcialidade caminham juntas.
Em complemento às observações de Perrini, Carla Cappiello, vice-presidente vicária do CNI, apresentou um ponto de transformação administrativa no âmbito das inscriçães de peritos: até 2023, cada tribunal mantinha seus próprios registros de consultores técnicos e peritos, cuja soma chegava a cerca de 183 mil inscritos. Com a criação do portal Albo CTU — uma iniciativa que o CNI promoveu em favor da transparência e rastreabilidade dos encargos — tornou-se necessário um novo processo de inscrição.
O trânsito para o novo sistema não foi automático: cada profissional precisou reapresentar candidatura e uma parcela significativa optou por não fazê-lo por razões diversas. Hoje, segundo o conselho, o portal conta com aproximadamente 69 mil inscritos, um número que reflete a necessidade de políticas públicas e profissionais que assegurem continuidade, formação adequada e remuneração compatível com a responsabilidade dos cargos.
Na prática, a centralização via Albo CTU busca reduzir ruídos e aumentar a confiança no processo de seleção de peritos, além de oferecer ferramentas de rastreabilidade dos encargos. Para Perrini e Cappiello, este é um passo necessário, mas não suficiente: é preciso consolidar normas, critérios de atualização técnica e um regime retributivo que espelhe a complexidade do trabalho pericial.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e compromisso com os fatos brutos marcaram as intervenções ao longo da jornada. A posição do CNI é clara: reforçar a centralidade da competência técnica no processo judicial é condição para que a verdade técnica emerja com clareza e para que a justiça seja efetivamente garantida aos cidadãos.

















