O elenco de co-apresentadores de Sanremo 2026 parece estar praticamente fechado, e a pergunta que ecoa entre fashionistas e analistas culturais é: que outfit cada um escolherá para subir ao palco do Ariston? As apostas da casa de prognósticos Sisal oferecem pistas curiosas — não só sobre preferências pessoais, mas sobre o que o espetáculo quer comunicar no espelho do nosso tempo.
Para os nomes masculinos, a opção conservadora e simbólica tende para o papillon em vez da gravata tradicional. Segundo a Sisal, a hipótese do papillon é cotada a 2,00 para Can Yaman, a 1,33 para Lillo e a 1,40 para o anfitrião Carlo Conti. É uma escolha que funciona como um pequeno gesto de continuidade: o papillon remete ao cinema clássico e a um certo decoro televisivo, um elemento de mise-en-scène que mantém o foco no palco sem pretensões extravagantes.
Mas, claro, nem todo protagonista segue o mesmo roteiro. Se a presença de Achille Lauro no Ariston já foi anunciada como um viraje performático — e a história do festival comprova que ele é sinônimo de reinvenção visual — a Sisal aponta a alternativa “outro” para o artista com cotação de 1,30. Isso indica que seu stylist, Nick Cerioni, pode muito bem ensaiar uma solução fora dos padrões, deixando a possibilidade de um look inesperado — e por enquanto a casa de moda Dolce & Gabbana permanece uma incógnita.
No par feminino, a estreia de Laura Pausini como co-apresentadora sugere leitura mais clássica: os especialistas Sisal colocam a chance de um visual monocromático a 1,50, enquanto o cabelo solto aparece a 1,44. Não é impossível que vejamos um déjà-vu de suas escolhas anteriores — pense-se, por exemplo, no total black assinado pela Armani nas Olimpíadas. A repetição de um código estético, aqui, atua como um refrão: é a memória estilística transformada em afirmação pública.
Mais do que apostas de moda, essas probabilidades funcionam como um pequeno mapa semiótico: o papillon dos apresentadores traduz uma vontade de retorno ao clássico; o risco calculado de Achille Lauro promete ruptura e reframe; enquanto Laura Pausini pode resgatar um minimalismo autorreferente que já faz parte de sua imagem pública. Em suma, o que veremos no Ariston não será só um desfile de roupas, mas a encenação de papéis — o figurino servindo de legenda para o que cada presença pretende dizer no grande roteiro mediático do festival.
Como observadora do zeitgeist, proponho olhar além do brilho e do tecido: cada escolha é um pequeno manifesto. O outfit no festival funciona como um espelho que devolve, em fragmentos, nossas ansiedades e nostalgias culturais. Seja pelo papillon que sinaliza elegância segura, pelos experimentos de Achille Lauro ou pela sobriedade monocromática de Laura Pausini, Sanremo promete ser mais uma vez um cenário de transformação — e um roteiro oculto sobre identidade e memória coletiva.






















