Por Marco Severini — Em um movimento que busca estabilizar os alicerces políticos do bloco, o eixo franco-tedesco deu hoje (12 de fevereiro de 2026) um sinal público de convergência durante o encontro informal sobre competitividade europeia realizado no castelo de Alden Biesen, em Bilzen, Bélgica.
O canceller alemão Friedrich Merz e o presidente francês Emmanuel Macron chegaram juntos ao local e emitiram uma declaração conjunta à imprensa, numa demonstração calculada de unidade. “Estamos quase sempre d’accordo”, disse Merz, frase que, mais que um afago retórico, procura fixar uma posição estratégica numa fase de tectônica de poder continental.
À curta distância, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni frisou que “estamos reforçando a nossa cooperação bilateral” com Berlim, mas acrescentou com clareza diplomática que tal reforço “não é algo que se faça excluindo outrem”. A observação de Meloni desenha, assim, um triângulo de influência entre Paris, Berlim e Roma, onde, no presente, o lado italo-francês parece energeticamente mais débil perante a atração exercida por Berlim.
Nas últimas semanas, a proximidade entre Merz e Meloni tornou-se notória: da recente visita de Merz à Itália ao documento conjunto — assinado também pela Bélgica — que traça prioridades para relançar a competitividade europeia. Já as fricções entre Merz e Macron encontraram expressão pública em debates anteriores sobre o acordo comercial com o Mercosul e sobre a insistência francesa no princípio “Buy European” como motor para revitalizar a indústria comunitária.
Antes do início formal do encontro, Merz e Macron realizaram uma conversa bilateral. Em seguida, Macron participou da reunião informal promovida por Itália, Alemanha e Bélgica, que reuniu os líderes de 19 Estados-membros e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para alinhar posições prévias aos trabalhos do dia.
Na declaração comum, Merz foi claro sobre o objetivo: “Queremos tornar a União Europeia mais rápida, mais eficaz e, sobretudo, garantir uma indústria competitiva na Europa”. Macron, por seu turno, sublinhou um sentido de urgência: pediu “decisões muito concretas até junho” e lembrou que, caso o conjunto dos 27 não avance, seria legítimo recorrer à cooperação reforçada para acelerar medidas nos domínios prioritários.
Do ponto de vista estratégico, o gesto público de coaparecimento entre Berlim e Paris funciona como um movimento decisivo no tabuleiro: destinado a reduzir incertezas, reafirmar liderança e estabelecer pautas operacionais. Porém, longe de ser um ato teatral isolado, essa convergência reflete também os limites das atuais alinhamentos — a chamada “arquitetura da influência” europeia continua sujeita a tensões setoriais (energia, indústria, comércio) e a diferenças de prioridade nacional.
Em suma, o encontro em Alden Biesen materializou uma tentativa de coordenar ritmos e objetivos numa Europa que precisa tanto de decisões rápidas quanto de consensos resilientes. O próximo passo será transformar declarações e intenções em reformas tangíveis: a partida no tabuleiro está marcada, e os próximos movimentos definirão se haverá um verdadeiro redesenho — visível e duradouro — da competitividade europeia.





















