Por Marco Severini — A investigação sobre os pagamentos feitos ao príncipe Andrew revela um movimento financeiro e diplomático de alta intensidade: a família real teria emprestado cerca de 12 milhões de libras (quase 14 milhões de euros) para cobrir um acordo com Virginia Giuffre, a mulher que o acusa de abuso sexual. Segundo fontes próximas aos Windsor, o montante ainda não foi reembolsado.
Fontes informaram que a então rainha Elizabeth autorizou um desembolso substancial — aproximadamente 7 milhões de libras — para compor o acordo fechado em 2022. Outros 3 milhões de libras teriam sido retirados do patrimônio do falecido príncipe Philip, e cerca de 1,5 milhão de libras foi pago pelo então príncipe Charles, com a ajuda de outros membros da família.
O objetivo declarado por aqueles que aprovaram os pagamentos foi reduzir o dano reputacional à monarquia, especialmente com o Jubileu de Platina da rainha planejado para fevereiro de 2022. Em termos estratégicos, tratou-se de um movimento para recolocar uma peça comprometida no tabuleiro antes que ela pudesse provocar um xeque-mate simbólico na imagem institucional dos Windsor.
Uma fonte disse ao tablóide The Sun que ‘Andrew não devolveu um centavo’. Havia um plano adicional: o duque de York tentou vender um chalé em Verbier, na Suíça — um imóvel avaliado em cerca de 19 milhões de libras — para restituir as somas emprestadas. Contudo, a operação fracassou em termos práticos, porque a propriedade estava gravada por uma hipoteca pesada, gerando pouco ou nenhum lucro líquido.
Segundo a mesma fonte, ‘o dinheiro da família real comprou o silêncio, mas privou Virginia da oportunidade de contestar abertamente suas alegações em tribunal’. Virginia Giuffre alega que foi obrigada a manter relações sexuais com Andrew em três ocasiões, a primeira quando tinha 17 anos, acusações que permanecem no centro de um caso que reorganizou alianças e percepções públicas.
Do ponto de vista interno, a decisão de financiar o acordo mostra os alicerces frágeis da diplomacia doméstica: a rainha, descrita por fontes como profundamente afetada pelo escândalo, não teria considerado o banimento do filho querido, preferindo uma solução paliativa que transferiu o ônus financeiro para o patrimônio familiar. Em termos de tectônica de poder, esse recurso adiou um confronto inevitável, empurrando a resolução para a fase em que Charles assumiria a responsabilidade institucional.
Este episódio coloca em evidência a complexidade de administrar uma monarquia contemporânea diante de alegações criminais graves: o custo financeiro direto (milhões de libras) convive com um custo estratégico mais difuso — erosão de legitimidade, riscos reputacionais e a necessidade de gerir um ‘tabuleiro’ onde peças pessoais e institucionais se confundem.
Enquanto especialistas em protocolo e política avaliam os efeitos a médio e longo prazo, permanece a pergunta prática: se e quando Andrew restituirá o montante formalmente classificado como empréstimo. A tentativa de monetizar ativos privados para reparar danos reputacionais falhou, e o caso se transformou em um exemplo de como decisões tomadas em corredores palacianos reverberam publicamente, redesenhando fronteiras invisíveis no mapa do poder britânico.
Em síntese: há um empréstimo coletivo de 12 milhões de libras, origem mista (rainha, espólio do príncipe Philip, contribuições de Charles e outros), falta de reembolso conhecido e um acordo que, na prática, encerrou um processo apenas formalmente, deixando intactas muitas das questões substantivas sobre responsabilidade e verdade.




















