Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych foi impedido de participar da prova marcada para a manhã desta quinta-feira nos Jogos de Milano Cortina 2026. A decisão foi anunciada após a análise da giuria da Federação Internacional de Bob e Skeleton (IBSF), que considerou que o capacete utilizado pelo competidor “não é conforme ao regulamento”.
Segundo nota oficial da organização, a recusa de Heraskevych em adaptar ou substituir o equipamento para atender às linhas‑guia de expressão visual dos atletas motivou a determinação de não permitir sua largada. Em consequência, o Comitê Olímpico Internacional comunicou, com “ramarico”, a retirada da acreditação do esportista para os Jogos.
Os fatos, no entanto, pedem ser colocados em perspectiva. Regulamentos técnicos sobre equipamentos — particularmente no caso de modalidades que envolvem altas velocidades e risco elevado, como o skeleton — existem em duas frentes. A primeira diz respeito à segurança: materiais, integridade estrutural e homologação são requisitos básicos para proteger atletas. A segunda trata de normas de imagem e publicidade, onde federações e o Comitê Olímpico procuram uniformizar a apresentação visual para evitar anúncios não autorizados, mensagens políticas ou elementos que contrariem acordos comerciais e códigos de conduta.
Quando um atleta opta por inserir elementos que colidem com essas regras, a resposta institucional tende a ser imediata — tanto pela necessidade de preservar a igualdade de condições entre os competidores quanto para resguardar o evento de controvérsias que ultrapassam o campo esportivo. A suspensão da participação seguida da retirada de acreditação é uma medida rara, mas possível dentro do arcabouço regulatório do movimento olímpico.
Heraskevych, figura de destaque no circuito de skeleton e campeão em diferentes etapas, representa para a comunidade ucraniana uma presença simbólica em um momento sensível no cenário europeu. A penalização desencadeia, portanto, debates que vão além da mera irregularidade técnica: trata‑se da interseção entre regras esportivas, liberdade de expressão e a administração de grandes eventos internacionais.
O caso abre ainda perguntas práticas: haverá recurso por parte do atleta ou da delegação ucraniana? A IBSF tende a documentar e tornar público o processo que levou à conclusão técnica, e o Comitê Olímpico pode avaliar possibilidades disciplinares adicionais ou medidas de conciliação. Para o público e para os demais competidores, resta a certeza de que, nesta edição dos Jogos, a governança técnica está disposta a aplicar normas de conformidade com firmeza.
Enquanto as corridas em Cortina prosseguem, a ausência de Heraskevych será sentida não apenas na folha de resultados, mas no debate sobre os limites entre regulamento e expressão individual — um tema que, no esporte moderno, continua a refletir tensões sociais e institucionais mais amplas.






















