Vanessa Voigt, a biatleta alemã, optou por uma pausa nas redes sociais após não alcançar o pódio na prova individual disputada em Anterselva. Em decisão comunicada publicamente, ela anunciou que não atualizará seu perfil no Instagram — onde soma mais de 56 mil seguidores — até o término de Milano Cortina.
A escolha de Voigt foi explicada à emissora alemã ARD, que registrou o descontentamento da atleta com o ciclo repetitivo de críticas nas plataformas digitais. “Voltano sempre i soliti temi: i miei tempi sugli sci, i miei tempi al poligono. Ora nuovamente su internet ricomincerà la solita valanga di commenti”, disse, numa fala que traduz a frustração ante a pressa em atribuir culpados e causas imediatas a resultados esportivos.
Em sua postagem no Instagram, Vanessa Voigt afirmou: “As pessoas que realmente importam sabem como me encontrar”. Complementou que o contato com o público ficará suspenso: “Nos vemos/ouvimos depois dos Jogos. Aqui agora cala o silêncio, meu foco é outro”. A decisão, simples na forma, tem raízes profundas: é uma defesa contra a circulação acelerada de julgamentos e uma tentativa de preservar concentração e bem-estar diante da magnitude de um evento como os Jogos de Milano Cortina.
Do ponto de vista esportivo, a pausa nas redes sinaliza algo que transcende estatísticas de desempenho. Voigt não é apenas uma competidora isolada; sua trajetória e reação pública expõem a tensão entre visibilidade e vulnerabilidade que marca os atletas contemporâneos. Nos grandes palcos — e especialmente nos Jogos — o erro técnico ou a margem de segundos tornam-se, instantaneamente, narrativas que circulam sem contexto, alimentadas por uma audiência ávida por explicações rápidas.
Historicamente, episódios semelhantes já ocorreram em outras modalidades e países: atletas que retiraram perfis, reduziram interações ou delegaram a comunicação a assessores para gerir impactos psicológicos e estratégicos. No caso do biatlo, modalidade que combina precisão e resistência, a pressão externa pode interferir diretamente no rendimento, sobretudo quando a crítica incide sobre tempos de tiro e desempenho nos esquis — justamente os temas apontados por Voigt.
Como repórter e analista que observa o esporte como fenômeno cultural, não cabe apenas relatar a decisão; é necessário interpretá-la: trata-se de uma tentativa consciente de resguardar o espaço interior do atleta em um momento em que a exposição pública tende a colonizar a narrativa do resultado. A reação de Voigt lembra que os percursos esportivos são também trajetórias humanas, e que o equilíbrio entre comunicação e silêncio é uma ferramenta estratégica.
Os torcedores, por ora, deverão aguardar. A expectativa é que, após Milano Cortina, a atleta retome contatos e esclareça, em seus termos, o balanço da participação. Até lá, a decisão de Vanessa Voigt permanece um gesto de proteção pessoal e, simultaneamente, um espelho das complexas relações entre desempenho, mídia e sociedade no esporte moderno.





















