Piemonte recupera 250 mil atendimentos com turnos noturnos e fins de semana
Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia
Em uma conferência em Torino no dia 11 de fevereiro de 2026, o assessor regional de Saúde, Federico Riboldi, anunciou que o Piemonte conseguiu recuperar cerca de 250 mil prestações de saúde graças à ampliação das visitas noturnas e aos atendimentos realizados nos fins de semana, iniciativa que começou em 2025.
É uma notícia que respira como uma cidade que volta a caminhar no ritmo certo: serviços que ficaram represados durante o período mais agudo da pandemia estão sendo devolvidos aos cidadãos, com a delicadeza de quem reconstrói uma rotina. Segundo Riboldi, há ainda um acréscimo de 35 milhões de euros destinados a ampliar essas atividades, fortalecendo a capacidade de resposta das unidades de saúde.
O relatório regional mostra um dado simbólico: em 2025 o Piemonte atingiu e até superou os níveis de produção de serviços pré-pandemia. Em 2019 foram registradas 2.181.147 prestações; em 2025 esse número subiu para 2.204.084. O contraste com 2020, ano de ruptura, é claro — naquele ano as prestações caíram para pouco mais de 1.310.000 — como se a paisagem do cuidado tivesse passado por um inverno profundo e agora ensaiasse um novo despertar.
Do ponto de vista humano, a ampliação dos horários de atendimento representa uma colheita de hábitos: pais que encontravam dificuldades para levar filhos às consultas fora do expediente, trabalhadores que priorizam o emprego e adiam a saúde, e idosos que dependem de horários flexíveis. As visitas noturnas e os plantões nos fins de semana funcionam como a respiração mais ampla de um sistema que precisa adaptar-se aos ciclos da vida real.
Riboldi detalhou que os investimentos adicionais visam não apenas a quantidade, mas também a qualidade: contratação de profissionais, melhor logística para exames e um olhar atento para reduzir listas de espera. É um esforço para restaurar o tempo interno do corpo coletivo — permitir que cada cidadão encontre o momento certo para cuidar de si.
Como observador do cotidiano italiano, percebo nesta iniciativa uma combinação de pragmatismo e sensibilidade. Recuperar 250 mil prestações não é só um número técnico; é devolver pequenos rituais de bem-estar às pessoas — consultas, exames, acompanhamentos — que sustentam o tecido social. É uma intervenção que toca tanto a rotina das famílias quanto a respiração das comunidades.
Resta acompanhar como esses recursos serão distribuídos no território e como se refletirão na experiência do usuário do sistema de saúde. A promessa de 35 milhões extras acena para um inverno da mente que se transforma em primavera de práticas: mais horários, mais oportunidades, menos espera. Em última análise, é uma lição de que saúde é também ajuste fino de horários e afeto institucional — um pequeno gesto que permite ao dia a dia recuperar o seu ritmo.




















