Por Alessandro Vittorio Romano — A escolha de embelezar o penteado com extensões de cabelo pode esconder um lado menos vistoso: um estudo do Silent Spring Institute, dos Estados Unidos, publicado na revista Environment & Health, encontrou sinais de que esses produtos podem conter e liberar substâncias nocivas capazes de afetar a saúde ao longo do tempo.
Como quem observa a paisagem antes da colheita, os pesquisadores mapearam o mercado norte-americano — um mercado que, segundo projeções, deve superar os 14 bilhões de dólares até 2028 — em busca do que há por trás das mechas. De 43 produtos avaliados, apenas 2 não apresentaram compostos preocupantes. Em diversas amostras foram detectadas, em 48 ocasiões, químicas que a legislação da Califórnia classifica como possíveis fatores de risco para câncer, desregulação hormonal e alterações do sistema imunológico.
O estudo destaca um contraste entre regiões: enquanto a União Europeia mantém normas mais rígidas sobre ingredientes cosméticos e materiais capilares, nos Estados Unidos o quadro regulatório é fragmentado, muitas vezes dependente de regras estaduais — a Califórnia sendo uma exceção com critérios mais restritivos. É como sentir o mesmo vento em duas encostas distintas: a respiração da cidade muda conforme a direção do ar.
Os autores sublinham que as análises encontraram não só substâncias isoladas, mas também misturas que, em contato constante com o couro cabeludo, podem representar um risco cumulativo. Isso nos lembra do conceito de tempo interno do corpo: pequenas exposições repetidas podem, com o passar das estações, alterar o equilíbrio biológico.
O que fazer diante desse cenário? Antes de tudo, adotar uma postura de cuidado informado. Para quem usa ou trabalha com extensões de cabelo, recomendações práticas incluem:
- Priorizar fornecedores que forneçam ficha técnica e origem do material;
- Optar por produtos com certificação europeia ou procedência conhecida;
- Exigir transparência nos salões sobre a marca e o tratamento prévio das fibras;
- Reduzir tempo de contato contínuo com o couro cabeludo quando possível e observar qualquer reação local ou sistêmica.
Como guia atento do cotidiano, sugiro também um gesto de precaução coletivo: questionar as marcas e as autoridades sobre os testes realizados nos materiais capilares. A regulamentação é uma árvore que cresce a partir de sementes de demanda — quando consumidores, profissionais e instituições pedem mais clareza, o mercado tende a responder.
Este alerta não é um convite ao pânico, mas um chamado à atenção sensorial e responsável: cuidar do visual também é cuidar do ambiente íntimo do corpo. A cada estação, a nossa pele e o nosso cabelo marcam as memórias do tempo; é justo que saibamos o que lhes tocamos. Enquanto as pesquisas avançam, a prudência e a informação permanecem como as raízes do bem-estar.
Fontes: Silent Spring Institute; Environment & Health; dados de mercado sobre projeções até 2028.





















